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2020 >> Sergio Geia


Literariamente falando, terminei 2019 em frangalhos, foi pura exaustão. O lançamento de “folha vadia”, meu livro de crônicas, em novembro, me consumiu horrores. Era tanta coisa para pensar e organizar — convite para amigos em visitas deliciosas, via WhatsApp, por Messenger, conversa com gente que não conheço pessoalmente, acertos com o Caio no bar, banners, tudo simplesmente maravilhoso, mas que consome até a alma — que simplesmente perdi a inspiração — e também, a disposição — para escrever. Como não queria escrever abobrinhas, me virei com o possível no final do ano, mas, por sorte, elas me abraçaram: as férias. 

É duro ficar longe de vocês por um mês, mas foi preciso. Sabe aquele período em que a gente se entrega a um ócio alienante, o não fazer nada, apenas dormir, especialmente depois do almoço, assistir a um filme, ler um livro, beber vinho, tomar banho de mar, sair com amigos, comer pizza, comprar coisas pra casa? Pois é, precisava disso. E também, por que não, óbvio, de vez em quando, entregar-me ao ócio criativo, aquele mesmo do Domenico de Masi, tão necessário para que as ideias fluam, e, principalmente, a criatividade retorne. 

Já era do ano passado, mas no finalzinho de dezembro e começo de 2020, fui ler “Essa coisa brilhante que é a chuva”, olha que título bacana? A capa não fica atrás, nem deixa a desejar a uma Camila Giudice, claro. Livro de contos de Cintia Moscovich, que conheci em 2019 lendo “A arquitetura do arco-íris”. São duas preciosidades. Quem gosta de contos não pode deixar de conhecer. Pra mim, no conto, o que funciona é uma conexão entre linguagem e temática. A linguagem de Cintia é superior, sem deixar de ser simples, suficiente, claríssima. Mas o que mais me apaixona em sua obra são os temas que ela aborda, tipo o filho quarentão que quer sair de casa, morar sozinho, mas não consegue se libertar da mãe; a menina indo tomar banho de mar e um turbilhão de emoções que essa visita ao mar atrai; as crianças que se ofendem com palavras duras, o amor inusitado de uma dona de casa por um cãozinho, são histórias do cotidiano, que poderiam ser suas, minhas, de qualquer um, e que são contadas com categoria pela Cintia. 

Neste ano quero retomar o trabalho de um livro de contos que ando escrevendo. Já tenho uma parte pronta, mas sem pressa. Como disse Caio certa vez, não há leitores sedentos pelo meu livro, arrancando os cabelos à espera dele. Mas quero concluir a primeira versão ainda este ano; no outro, me dedico a burilar e deixá-lo pronto. Estou adorando escrever contos e sobre uma temática que se tornou de repente a minha obsessão: velhice. Não me perguntem a razão. 

Simultaneamente, continuo escrevendo e editando o Crônica, publicando no Jornal de Caruaru e na Gazeta, de Taubatexas. Aliás, por falar no Crônica, os autores trabalham uma antologia. Ela vem aí, com coisas lindíssimas. Aguardem. 

Ando curtindo muito a Liniker; para ser exato, Liniker e os Caramelows. Eles têm uma sonoridade que me agrada muito. Primeiro, “Intimidade”. Até compartilhei o clipe na minha página do Facebook, a voz poderosa da Liniker cantando “vem me visitar de madrugada, colocar tua mão em mim, que eu deixo, sem pressa você chega e fica, eu finco afeto nesse peito, três dias sendo leito, mamando no peito desse calor que é bom”, olha que poder. Combinação perfeita de voz, letra e melodia. Depois a Julia me falou do disco inteiro, “Goela abaixo”, que é o máximo. Fui ouvir. Tinha razão. Já baixei “Bem bom”, “Calmô”, estão na minha playlist 4. Mas tem mais, muito mais, vocês precisam escutar. 

Espero que 2020 seja assim, com muita música e poesia, de preferência, a poesia da Liniker. E com muitas histórias para viver e contar. A vida vale a pena pelos momentos que vamos colecionando. E é tão bom encher um copo de uísque, tocar música no ambiente, saborear esses momentos vividos em detalhes, o baú cheio. 

2020, seu lindo, não nos decepcione: seja lindo para nós.

Comentários

Sandra Modesto disse…
Adorei. Também gosto muito da Liniker. E meu 2020 começou com novos projetos, inclusive um novo livro. Espero que 2020 não nos decepcione. Mesmo. Parabéns pela crônica, Sérgio.
sergio geia disse…
Que venha um novo livro, Sandra, e um 2020 lindo para nós. Grande abraço!
Carla Dias disse…
Sergio, bem-vindo de volta. E que venham a poesia, a música, muito Liniker (que é uma lindeza), contos e realidade de inspirar ficção. Beijo!
Zoraya Cesar disse…
Saudades, grande cronista das pequeninas coisas! E assim q Nádia retornar de férias retomamos nossa antologia!
sergio geia disse…
Obrigadíssimo, queridas Carla e Zoraya.
Albir disse…
Bem-vindo e obrigado por sua dedicação ao Crônica!