terça-feira, 21 de novembro de 2017

QUANDO NASCE UMA MÃE >> Clara Braga

Logo que descobri que estava grávida lembrei das pessoas dizendo: sempre que uma criança nasce, nasce também uma mãe. Me apeguei a essa ideia. Não porque a achava linda, mas porque precisava. Não me imaginava mãe de jeito nenhum, se quando meu filho nascesse não nascesse uma mãe junto ele estaria enrolado. 

Chegada a hora do parto o momento era de felicidade e dor, muita dor. Mas também, como poderia ser diferente? De dentro de mim sairia um bebê e uma mãe! Mas a verdade é que depois do bebê só saiu mesmo a placenta. Foi aí que eu descobri que mãe também é gestada por nove, quase dez meses, mas para parir é diferente. Você só se percebe mãe em momentos específicos.

Me percebi mãe quando acordei com uma respirada mais forte do meu filho ainda na maternidade. Quem diria, justo eu que há tempos não ouvia mais o despertador se ele não estivesse no máximo.

Também me vi mãe quando 20h deixou de ser a hora que eu começava a me arrumar para sair e passou a ser um horário muito tarde para fazer qualquer coisa.

Mais de três pessoas passou a ser muita gente. Coitado, ainda não sabe direito nem quem é a mãe e o pai, se ficar ouvindo muitas vozes e passando de colo em colo vai ficar muito estressado.

Meu amor por cachorros sumiu no dia que desci para passear com meu filho no carrinho e um cachorro começou a latir para o carrinho. Normalmente ao ver um cachorro, mesmo latindo, pensava: que lindo, queria tanto um cachorro! Nesse dia pensei: se chegar perto do meu filho vai se arrepender!

Ah, e claro que também me vejo mãe toda vez que vou escrever uma crônica e o único assunto que tenho é a maternidade. Não é que outros assuntos não sejam interessantes ou importantes, mas é que entre fraldas e cólica não me resta mesmo muita novidade para contar.


Partilhar

Nenhum comentário: