terça-feira, 5 de novembro de 2013

OVERDOSE DE JORNAL >> Clara Braga

Cá estou eu estudando para um concurso de professora da Secretaria de Educação. Um dos tópicos que cai na prova é atualidades. Então, como recomendado pela professora do cursinho, aumentei minha dose diária de telejornais. Diante dessa experiência, vou dizer uma coisa: achei um tanto desnecessário aumentar a dose, a verdade é que depois de assistir DFTV Primeira Edição, Bom dia Brasil, DFTV Segunda Edição, Jornal Hoje - que é o mais legal de todos -, Globo News, Jornal da BAND e Jornal da Record, até eu apresentaria o Jornal Nacional. E digo mais, apresentaria sem precisar ler aquele teleprompter. Até as entrevistas das reportagens são as mesmas, não muda nada! 

Mas além da repetição, outra coisa me chamou a atenção. Estou começando a achar que jornalistas e policiais subestimam a inteligência de traficantes, assaltantes, ladrões, seqüestradores e etc. Outro dia, foi noticiado em todos esses jornais que eu citei uma nova operação super eficaz utilizada pelos policiais de Brasília para prender traficantes. Na reportagem, os policiais comemoravam o fato de já terem prendido traficantes perseguidos há tempos enquanto os jornalistas mostravam a operação completa, como os policiais agiam, onde se escondiam, o que faziam, qual era o código usado entre eles, enfim, detalhavam a operação o máximo possível. 

Na mesma hora eu pensei: gente, hoje em dia só não tem televisão quem não quer! E assaltante tanto quer que rouba algumas, então, qual a lógica de informar aos assaltantes, traficantes e afins a operação detalhada da polícia? Concordo que a ideia para pegar traficantes (que eu não vou falar qual foi para não me contradizer) foi ótima, mas convenhamos, foi a primeira e a última vez que ela funcionou, porque agora todos os traficantes estão super ligados nas táticas policiais! 

Logo pensei que esse tipo de notícia não para por ai, quando noticiam, com os mesmos detalhes, esses atentados que acontecem nos E.U.A, todo mundo esquece que Brasileiro adora copiar um norte americano! Lá vai o jornal noticiar a história daquele garoto que não oferecia perigo a ninguém, que se revolta por ter sofrido bullyng em uma época em que bullyng nem existia. Então, ele decide que é no mínimo justo entrar na antiga escola dele e matar um monte de gente que nem sabe quem ele é, mas alguém tem que pagar pelo sofrimento que ele teve. A reportagem mostra vídeos, especifica as armas utilizadas, fala onde o cara comprou a munição, enfim, especifica tanto que só falta a Ana Maria Braga aparecer dando a receita da bomba caseira que o cara usou. 

Depois de um tempo o que acontece? Lá vai o brasileiro lembrar que também já sofreu bullyng e acha que pode se vingar! Oh povinho sem criatividade, vai lá, entra na escola e mata um monte de criança que acaba pagando por um ato que nem cometeu. E o mais curioso de tudo é que depois noticiam que os ladrões estão ficando cada vez mais espertos, estão usando artimanhas que está enganando a polícia. Ou então fazem uma longa matéria condenando o uso desses malditos video games que mexem com a cabeça da criança, deixando ela transtornada e com vontade de matar todo mundo. Será mesmo que de repente os ladrões e traficantes se tornaram super dotados e todas as crianças que sofreram bullyng passam horas na frente dos video games por nunca terem feito amigos e acabam surtando? 

Não questiono a importância do jornal, mas será que não existe um pontinha de culpa deles nesses atos? Pode ser que eu esteja pensando demais sobre algo que nem acontece de fato, mas será que isso faz sentido para mais alguém?


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Um comentário:

Canhottices disse...

Simplesmente adorei o texto!
Vejo somente um jornal por dia, e só o regional (PRTV), porque o que for de relevância nacional o jornal local cita e pronto. Penso que o jornal perdeu a função meramente informativa que tinha, pra mostrar algo mais sensacionalista, como o seu exemplo. Falta tanta notícia assim que tem que colocar detalhes de operação policial? A polícia prendeu todos os traficantes do Brasil e por isso contou com detalhes como fez? Será que nem por um segundo os PMs perceberam a cagada de detalhar um plano?

No final, penso que eles não subestimam os traficantes, os bandidos. Eles subestimam a população comum.

Abraço, bom dia.