quinta-feira, 28 de novembro de 2013

AS LEIS DO AMIGO-SECRETO >> Mariana Scherma

Adoro brincar de amigo-secreto, na minha opinião essa deve ser uma das melhores coisas da época de fim de ano. Quase digo "obrigada, comércio". Todo ano é a mesma coisa: sempre tento adivinhar quem tirou quem (e principalmente quem me tirou), mas o mais sensacional é ver que as certezas vão por água abaixo já na primeira revelação da noite. Surpresa é a chave de um amigo-secreto divertido. O problema da brincadeira, assim como o problema do mundo, são algumas pessoas. Aquele tipo que entra no grupo sem a mínima vontade de brincar (por que entra, né?). Pensando nisso, listei algumas sugestões pra você, que entrou na brincadeira, seguir. Ou não, ué. Você é quem sabe...

Não participe do amigo-secreto pensando no presente. Quer muito um livro, uma blusa ou qualquer outra coisa? Compre você mesmo. Esperar muito do presente é o tipo de expectativa complicada de criar porque, ora bolas, tem muita gente que guarda perfume fedido que ganhou no amigo-secreto do ano passado esperando essa data pra se desfazer do “presente”. É cruel, mas é verdade. É a tradição da brincadeira e são esses momentos que vão render história até a próxima revelação.

Mande recadinhos. Sei lá se você criou um grupo on-line ou é via pote de bilhetes mesmo. Mas a intenção da brincadeira é brincar (redundância necessária, desculpe aí), se você não tem tempo pra escrever, por que mesmo entrou nessa?

Dar vale-presente é frio demais, é como ir à Sibéria só de biquíni. A impressão que dá é que você estava com preguiça de pensar ou perguntar o que seu amigo queria e foi na opção menos trabalhosa. Vale-presente só é aceitável se: 1. seu amigo pediu ou 2. se o que você comprou não chegou ainda (nesse caso, dê o vale com um chocolate ou um agradinho). Eu já ganhei vale-presente porque minha amiga achou melhor – e ela ainda me deu um valor bem menor do que estipulado. Ok, não estava nessa pelo presente, mas o bom senso mandou um beijo, não acha?

A hora da revelação precisa de uma brincadeira, a não ser que no seu grupo tenha 1.258 pessoas, aí fica meio impossível. A que eu mais gosto é “se meu amigo fosse um país, um sapato, um feriado...”. É ótimo ver como os outros nos veem (bom, eu acho, não sei você). Mas confesso que já participei de amigo-secreto em que a pessoa saiu chateada porque não se considerava o que pensavam que ela era. Da máxima: não sabe brincar, não desce para o play!

Cuidado com as gracinhas via mensagens anônimas. Até porque todos partimos do princípio de que toda brincadeira tem um fundo de verdade. O xaveco ou a “indireta do bem” (ela existe mesmo?) precisa esperar, caso contrário você vai virar o/a mala da brincadeira. Ainda não é o momento de você falar tudo o que pensa de alguém. Deixa isso pra hora da revelação, qualquer coisa que sair errada, tem sempre o álcool pra levar a culpa por você.

Se você quer muito NÃO tirar uma pessoa como seu amigo, repense se vale a pena participar da brincadeira. É que de acordo com as Leis de Murphy (e disso eu entendo!), as chances de você tirar o dito-cujo são de 101%. E aí, ao tirar alguém não desejado, toda a diversão da brincadeira pode acabar pelo ralo. Lembre que é Natal, e o espírito dessa data tem tudo a ver com fingir que gosta de alguém só pelo bem da festa, do vinho e da cerveja!


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