domingo, 23 de maio de 2010

SÓ CASO SE FOR VIRGEM
>> Eduardo Loureiro Jr.

Esta crônica é baseada em fatos reais, mas alguns detalhes são inventados.


Foi há 12 anos. Ele tinha 29. Ela, 17. Ele, um pequeno empresário em ascensão. Ela, ganhadora de concursos de beleza. Casamento marcado. Festa preparada com quilos de capote, galinha, carne, arroz e feijão. Data agendada no pequeno cartório da cidade. Mas ele, o noivo, não apareceu.

Ele e ela se conheceram por intermédio de uma prima dela, hoje arrependida de tal cupidez (com duplo sentido). Foi num show de forró. O nome da banda: Noda de Caju. "Nódoa de caju não sai de jeito nenhum". Poderia ser indicativo de uma união eterna, mas foi só um processo que correu na justiça por anos. Resultado: ele deverá pagar a ela 10 mil reais.

Véspera do casamento. Motel da cidade. Ele dá pequena propina para o porteiro. Ela é "de menor". Ele, ansioso, não podia esperar pelo dia seguinte. Ela, nervosa, quer conversar. Ele diz que podem conversar depois. Ela insiste. Ele acata. "Não sou mais virgem", ela diz. Ele cala. Ela repete. Ele: "Mas nós namoramos faz três anos." Ela: "Foi antes". Ele: "Mas..." Ela: "Não queria que você..." Ele fez de conta que aceitou. Sem mais palavras. Guardaram as intimidades nas roupas e foram embora.

No dia seguinte, no cartório, ninguém entendia nada. Ela desconfiava. Ele estava numa cidade vizinha, num outro motel, desvirginando uma desconhecida pela qual pagou caro. Só voltou para casa à noite, embriagado. O pai dela veio tomar satisfação. Ele: "Sua filha não é mais moça". O velho calou-se e saiu.

Ele achou pouco. No dia seguinte, pagou para que saísse na rádio: "Só caso com virgem". Ela virou assunto na cidade. Ele se entregou à bebedeira. Gastou o dinheiro no álcool, no jogo e no advogado. Processo por danos morais. Perdeu. Recorreu. Perdeu de novo, agora de vez, por violar a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem da ex-futura esposa.

Hoje. Ela: médica solteira morando no Sul. Ele: motorista de ambulância e vendedor de churrasquinho nas horas vagas. Ela não precisa dos 10 mil. Ele não tem dinheiro para pagar a indenização. Ela, que não é Virgem, é Escorpião, sorri, vingada. Ele sai para o trabalho na mesma pequena cidade, vai levando com a barriga cheia de cachaça.

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14 comentários:

Ana Lucia disse...

Bem feito... brigar por causa de um pedacinho de pele besta.. ninguém merece! hehehe! Um abraço, Eduardo!

Sonia Beth disse...

o dó, ninguém merece! kkk

beijocas

Anônimo disse...

Ui... que fria!
É por isso que morro de medo de casamento!
Casando ou não ele teria a barriga cheia de cachaça!

Cristiane disse...

Tudo em nome de uma tradição inventada. Como pode? A gente se pergunta nos dias de hoje. Podia e se fazia isto no mundo de dez anos atrás. Como as coisas mudaram. Ainda bem.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Meninas e anônimo, vocês me fizeram rir e sorrir. :) Grato,

Edilson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marcelo disse...

cara vc ta de perabéns, essa cronica
faz parte da nossa vida.....
Fico muito grato a te....OBG

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Já passou por isso, Marcelo? :) Eu ainda não. Brigadim pela leitura e pelo comentário.

Anônimo disse...

Talvez o problema não tenha sido o pedacinho de pele arrancado e sim a mentira. Desculpem-me a grosseria, mas se não era mais virgem há uns 3 anos, por que não deu logo pro cara? Pq escondeu isso por tanto tempo? Na hora de casar ela resolve trazer revelar isso?! O cara foi enganado aquele tempo todo, coitado! Mulhjeres costumam ser tão cruéis,às vezes! Ela destruiu a vida do rapaz. Se tivesse falado desde o início da relação, talez estivessem casados hoje. Isso ta parecendo novela. ME empolguei. Me emocionei.
Parabéns, Eduardo.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Calma, Anônimo! Não é novela, é só uma crônica. :) Brigadim pela empolgação.

Anônimo disse...

Eu amei'
fikou muito bom para o trabalho de português que eu estou fazendo!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Legal, Anônimo. Volte sempre e divulgue entre seus colegas e professores.

Laís Bastos da Silva disse...

Uau, muito bom! Que burro, poderia ter aproveitado a experiência, iria se divertir, por causa de um moralismo bobo, perdeu. Ah, homens (alguns)!

vanessa cony disse...

Eduardo,estou começando a escrever meu blog.Apesar de não ter formação,sou dentista,adoro ler e escrever.Gostaria que visitase meu espaço.
achoqueestoureflexionando.
Bj.