domingo, 9 de maio de 2010

COLO, COMIDA E CONSELHO
>> Eduardo Loureiro Jr.

Mãe só tem uma, embora eu tenha muitas. Dar à luz uma criança é suficiente para se tornar uma mãe, mas não é necessário. Para que se seja mãe basta dar colo, comida e conselho.

O espaço da maternidade é o colo, o aconchego dos braços. Mãe que é mãe dá esse abrigo no peito, que é uma abreviatura da casa, que é uma miniatura do mundo, que é um holograma do universo. Mãe dá ao filho esse lugar de descanso. Filho tem para onde retornar quando a situação aperta, quando a vida nos faz sentir pequenos, medrosos, acuados. Colo de mãe é consolo, companhia na solidão. Colo é cadeira de balanço, é varanda de casa de praia, é banco de pátio, é quarto de hóspedes. Colo é a lembrança de que um dia se mamou no peito, essa extensão do grande coração que a mãe carrega dentro.

Do colo, pelo cheiro, vem a comida. Criança, que mama no peito, quando cresce come na mesa sempre posta, troca o leite pelo baião-de-dois, pela tapioca, pela sopa, pelo bolo de sal; e, quando necessário, pela garapa, pelo xarope, pelo chá de carqueja ou de quebra-pedra. Comida da mesma consistência do nosso tamanho: se o filho é pequeno (na altura, no choro, na doença), dá-lhe líquido; se o filho é crescido (no orgulho, na responsabilidade), dá-lhe carne com osso ou com nervo para ser comida com paciência.

Mãe também dá de comer palavra ao filho: sabor que vira saber, comida que vira cuidado. Mãe dá liberdade e dá livro, dá hobbie e dá história, dá providência e dá provérbio, dá carinho e dá carão. Mãe ouve confissão em silêncio e dá conselho em exemplo. Mãe aceita o filho estranho, extraviado, estrangeiro. Mãe chama o filho não apenas pelo primeiro nome ou pelo apelido; sabe chamar nosso nome completo, nosso destino correto. Conselho é causo de família, moral da história. Conselho é "Sapateiro Feliz", "Zorba, o grego", "Coiote" e "Conspiração Aquariana".

Mãe talvez seja só uma mesmo: uma heroína de mil faces. Mãe é mar, é Maria, é Mazé. Mãe é amor, é harmonia, é Tia Monca. Mãe é risada, é graça, é Gracinha. Mãe é além, é luz, é Luiza.

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5 comentários:

Tia Monca disse...

Muito linda Junoca!
Obrigada a você e obrigada à Vida, pelos filhos que me deu.
Um abraço carinhoso,
Tia Monca

pensandoemfamilia disse...

Bela crônica
Parabéns.
Norma

Karina Loureiro disse...

Linda crônica, meu ismão. Beijos.

albir disse...

E, como se viu no seu texto, mãe é poesia.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Senhoras e senhor, grato por compartilharem comigo o reconhecimento a essas mulheres lindas, belas e poéticas. :)