TENHAM LIMITES, OBRIGADA! >> Clara Braga

Eu não sou referência para tendências. Normalmente, demoro até perceber que algo se tornou uma tendência e levo um tempo ainda maior para perceber que aquilo não é mais tendência. Mas, posso dizer com uma certa segurança que a mania de gourmetizar tudo quanto é comida já passou. E diria até que essa foi uma tendência que acabou rápido, não deu nem tempo de aprender a escrever "gourmetizar" sem ter que olhar no google antes.

Preciso assumir que, para mim, foi difícil aceitar essa tendência da gourmetização. Em alguns casos, para não dizer na maioria deles, ficava com a sensação de que alguém colocava uma coisinha diferente em uma comida simples, dizia que tinha gourmetizado e cobrava o dobro ou mais do valor normal. Tudo isso para poder levar aquela comida simples que a gente come na carrocinha da esquina para dentro do shopping.

Claro que essa minha opinião é baseada em achismo, já que não entendo nada de cozinha, mas sei que não fui a única a ficar com essa sensação. Também não nego que algumas inovações foram bem atrativas. Os picolés, por exemplo, passaram a ter uns sabores bem gostosos, inclusive com recheios. Algumas hamburguerias também ficaram bem sofisticadas e com ingredientes bem saborosos. Mas, de novo, tudo bem caro.

Outras propostas já não foram assim tão inovadoras. Minha pior experiência com a tal gourmetização foi, sem dúvidas, com um churros gourmet. Ele era assado, tinha o recheio normal e vinha em uma espécie de pratinho que permitia que você colocasse o recheio também por cima do churros. A proposta me pareceu interessante, mas na hora de comer entendi que tem comida que foi feita para ser frita mesmo e ser comida na carrocinha do tio ali da esquina. Ou então leva a carrocinha do tio para dentro do shopping, que mania de achar que só o que é gourmet merece um quiosque bem apessoado.

Mas, embora a mania do raio gourmetizador tenha passado, parece que algumas pessoas ainda estão tentando inovar com comidas que são gostosas justamente por serem como são. Esses dias, recebi uma publicidade que me fez duvidar da humanidade: alguém achou que eu não poderia passar mais um dia da minha vida sem experimentar um delicioso picolé de cozinha. 

Gente, tenham dó! Por favor, já fiquei chateada o suficiente com o uso da palavra coxinha como um termo pejorativo, preciso tomar cuidado para dizer que amo coxinha sem ser mal interpretada nas rodas de conversa. Agora, me oferecer uma coxinha que não tem aquela bundinha cheia de frango e catupiry e aquela pontinha crocante que é pura massaroca, isso é o cúmulo do desrespeito. O formato da coxinha é perfeito, coxinha não é picolé e se você quer inovar, transforma outras comidas para o formato da coxinha, mas tenha o respeito de não mexer com a coxinha, obrigada.

Comentários

Nadia Coldebella disse…
Nada de mexer com a coxinha, concordo - e sem duplo sentido. A gente mesmo gourmetiza a coxinha se quiser (só colocar uma salsinha em cima).

Sou solidária com a sua indignação!

Na verdade, pra q complicar, né? Um amigo meu sempre falava: menos é mais. O q me leva a pergunta: se eu tirar, eu gourmetizo?

Gde bjo!
Zoraya Cesar disse…
Concordo. Algumas comidas, assim como algumas músicas, deviam permanecer intocadas. No máximo, aprimoradas (fritas, por exemplo, num óleo melhorzinho, o franguinho caipira, só isso detalhes). Abaixo a gourmetização falsificante!
sergio geia disse…
Certa vez, numa festa, ofereceram coxinha de azeitona. Confesso que odiei. Assino embaixo, Clara. Deixem as coxinhas em paz!
Albir disse…
Concordo que algumas coisas não podem ser mudadas.
Não toquem nas coxinhas!
Quanto aos coxinhas, se conseguissem mudá-los, principalmente em ano eleitoral, seria ótimo!

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