OS TRABALHADORES DO MAR E OUTRAS TRISTEZAS >> Fred Fogaça


 
 
Não li todos os livros do Victor Hugo não, mas já peguei a ideia de que eles sejam todos muito tristes de um modo geral e irrestrito. Mas, nesse ponto, Os Trabalhadores do Mar chegou assim num nível. Olha. Muito fácil criar empatia pelo Gilliat, o homem solitário e bondoso, meio um Rodrigo Hilbert pobre - com exceção de alguns bens e daí pra frente é só desgraça.

Há uma causa que a gente duvida um pouco até se vale mesmo a pena, mas é porque, pleno século vinte e um e o que? Tempão depois do século dezenove, salvo engano, onde se passa a história, já nos cansamos de nos dar mal e ninguém mais espera nada de uma promessa. Não que Gilliat também o devesse, e eu deveria ter previsto.

Culpa da minha decepção foi muito própria, por ter continuado a ler Os Trabalhadores do Mar já tendo lido outros dois livros do Victor Hugo. Tinha conhecimento o suficiente pra saber que ali não tem colher de chá. Não tem almoço grátis e muito menos num livro do Victor Hugo.

Agora, o ciclo que forma o final e como aquilo, pra mim, e entre outros detalhes, depõe a igreja anglicana, é coisa de doido. Eu nunca nem vi nada sobre, mas eu já acho que o autor tinha aí alguma coisa contra. Será? Dei uma rápida jogada nas pesquisas e os termos não resultaram em nada, talvez exista alguma coisa ai, se levar em consideração o detalhamento de conventos que ele faz com tanto esmero e de ter Notre Dame de cenário em um livro - estou adivinhando aqui e qualquer fato pode ser adicionado nos comentários.

Coisa boa e ruim ao mesmo sobre isso é que descobri através de um jornal local "Guernsey Press", lugar onde o autor esteve exilado nas épocas que escreveu o livro, que lá está sendo produzido um filme sobre o livro. Coisa terrível é que contrataram uma adolescente talentosíssima que fez uma composição musical sobre a obra pra usar numa das cenas finais do filme e isso já me deixou tristíssimo porque imagino muito como pode ser - e eu não vou ver essa tristeza sozinho. Ainda mais que a música não foi postada inteira. Enfim, aproveitem e passem um pouco de raiva comigo.



Comentários

Zoraya Cesar disse…
Fred, como sempre. terrível. Pega a gente de surpresa e nos deixa boquiabertos, nos perdendo nas entrelinhas q, dessa vez, pasmemos, estavam às claras. Os trabalhadores do mar realmente é tristíssimo. E Victor Hugo nao é pros fracos nao. Nao deve, por exemplo, ser lido num domingo.
Albir disse…
Vou ler, mesmo triste. Convenceu.
Paulo Barguil disse…
Valeu, Fred, pelas partilhas!

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