FICA AQUI O MEU APELO >> Clara Braga

Sei que todo mundo já está meio de saco cheio de ouvir falar de pandemia, então, decidi mudar um pouco o foco da crônica de hoje.
  
Quer dizer, eu quase te enganei não é mesmo? Ainda vou falar sobre pandemia, já que nada de muito diferente acontece nessa minha vida de idiota que, tirando demandas de trabalho, ainda segue as recomendações de distanciamento social. Só não vou focar em seu aspecto trágico, mas sim em dois novos hábitos adquiridos nesse período que eu adoraria que fossem mantidos para sempre. 

O primeiro, e mais simples deles, é tirar o sapato quando entra em certos locais. Desde que voltamos a levar o Theo para a casa dos avós ou nas raras vezes que fui fazer trabalho na casa de algum cliente, achei simplesmente libertador ficar lá com os pés descalços. Pode parecer besteira, mas para mim, casa e sapato sempre foram coisas que não combinaram muito. Então, se depois que a pandemia acabar, você me chamar para ir à sua casa, tudo bem se eu ficar descalça? 

O segundo hábito talvez não faça muito sentido para quem não mora em Brasília, mas vou falar assim mesmo. Quem conhece a cidade, sabe que as áreas residenciais são chamadas de quadras e, entre as quadras, tem áreas verdes. Brasília tem muita área verde e, por muito tempo, era hábitos dos moradores ocuparem esses espaços. Tinha muita criança brincando na rua, andando de bicicleta e patins, muito jovem tocando violão embaixo dos prédios e adultos sentados nos gramados conversando. 

Depois de um tempo, não sei explicar exatamente o motivo, essas cenas ficaram cada vez mais raras e, quem viveu esse período, ficou cada vez mais saudosista. Durante a pandemia, com escolas e academias fechadas e a recomendação de evitar locais fechados, as ruas voltaram a ficar movimentadas. As quadras poliesportivas têm aulas de dança e funcional, os pais malham enquanto as crianças estão no parquinho e até festa de aniversário embaixo das árvores têm sido comum. 

É muito legal ver que as pessoas estão buscando formas saudáveis e de menos risco para manterem uma certa proximidade de quem se gosta e, claro, manter a sanidade mental enquanto "redescobrem" o local onde moram. 

Bom, e depois de apresentar esses novos hábitos, e aproveitando que virou moda pedir para “normalizarem” certas situações, fica aqui o meu apelo: podemos normalizar andar com os pés descalços e ocupar as áreas verdes das cidades de forma saudável?

Comentários

Zoraya Cesar disse…
já tem meu voto! quem dera! talvez um dia consigamos evoluir pra esse normal.
Carla Dias disse…
Tem o meu voto também, Clara. Torcendo para que possamos melhorar os cenários exteriores e a liberdade dos descalços.
Paulo Barguil disse…
Claro que sim, Clara.
Pés livres no cimento e na areia!

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