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CASTIGO >> Paulo Meireles Barguil

Quem nunca escutou e falou (em voz alta ou baixa): "Você vai ficar de castigo!"?


Essa frase pode ser uma ameaça ou a sentença fruto de um julgamento, o qual não precisa ter respeitado o princípio do contraditório, nem ser passível de recurso.


As punições podem ser temporárias ou eternas.


As unidades de medida das primeiras são minutos, horas, dias, semanas, meses e até anos.


As demais são mais simples, pois dispensam a Matemática, sendo o exemplo mais conhecido, e que muitos creem, o que foi aplicado por Deus em Adão e Eva.


Elas também variam quanto à dimensão humana que a recebe diretamente, corporal ou emocional, pois, independentemente do destino, a pessoa é integralmente atingida.


A mão é, de longe, o principal órgão implementador da pena corporal, podendo ou não utilizar um instrumento para materializá-la: palmada, chinelada, cintada, açoitada, tapa, pedrada, murro...


Em relação à pena emocional, a língua é o mais importante arauto, mediante ofensa ou silêncio, embora não seja desprezível o poder dos olhos.


Engana-se quem acredita que somente outrem nos devasta.


São complexos os mecanismos que levam uma pessoa a desferir aflições para si mesma.


Desprovido de espaço, de tempo e de conhecimentos para desenvolver esse postulado, só me resta lhe convidar a visitar seus sentimentos, pensamentos e agimentos que boicotam a sua felicidade.


Deixo-lhe uma dica: desconfie daqueles que lhe são muito íntimos...

Comentários

Carla Dias disse…
Os castigos que dedicamos a nós mesmos costumam ser bem cruéis, não? Pode deixar que aceitei a dica. ;)
Nadia Coldebella disse…
Concordo. O pensamento é o chicote da alma, sendo empunhado pelo pior dos nossos algozes!
Só nã concordo que as mães são as primeiras a aplicar o castigo. Podem muito bem ser os pais ;) Boa reflexão, eu sou absolutamente contra castigo, mas às vezes me pego pensando que talvez fosse necessário... o pior castigo é o que nos infligimos sem saber, eu acho...
Zoraya Cesar disse…
Tive de reler, pra saber q li certo, são as mãos, Alfonsina, nao as mães kkkk.

Mas, Paulo, vc vem levantando uns questionamentos internos de maneira tão delicada! E ainda nos chama a dançar no final. E, ainda por cima, coberto de razão. Delícia!
Albir disse…
Que interessante, Paulo!
Ouvimos protestos contra todos os castigos, menos contra os autoinfligidos.