quinta-feira, 3 de maio de 2018

GATO DE SCHRODINGER, CÃO DE PAVLOV

O "experimento hipotético" do gato de Schrodinger, consistente em colocar um gato em uma caixa com um medidor de atividade radioativa e um frasco de veneno, visa a ilustrar o comportamento quase imprevisível de certas partículas subatômicas e, também, a questionar a influência do observador no resultado observado.  Pensada pelo austríaco Erwin Schrodinger, nos anos 30 do século passado, o gato estaria morto se um dos átomos de uma substância radioativa decaísse e acionasse o medidor mencionado, que por sua vez acionaria uma martelo, que, ainda, quebraria o frasco de veneno, matando o gato. Se, porém, a substância se mantivesse "inerte", o gato não morreria. Acontece que não se sabe ao certo se esse decaimento aconteceria ou não. Em tese, portanto, o gato da caixa poderia estar vivo e morto ao mesmo tempo. Acontece também que um observador não conseguiria captar, em um instante determinado, um gato morto-vivo. Ao abrir a caixa, quem observasse o conteúdo só conseguiria ver o gato ou morto  ou vivo. Não dá para entender a complexidade da tese só com o poder da observação.

Já o experimento de Pavlov, que foi prático mesmo, consistiu em fazer soar uma sino toda vez que um grupo de cães era alimentado. Com o tempo, os cães associavam o som à comida e ficavam com água na boca quando o ouviam, mesmo não havendo comida alguma. Pavlov, um médico russo, foi aclamado pelo experimento que, ao mesmo tempo, foi considerado simples e revolucionário e mostra a força de certos reflexos nos seres vivos.

Eu, que não sou cientista e penso muito pouco cientificamente, fico imaginando os deuses guiando os homens a descobrirem a si mesmos, através dessas experiências:

Deus 1: _ Vejam só: inspirei esse austríaco a pensar uma hipótese um tanto complicada para mostrar que algumas partículas subatômicas são imprevisíveis, e também a ver que tudo depende do observador. 

Deusa 1: _ Fora a discussão científica em si, o que espera com isso? Mais um insight sobre a condição falível dos humanos? 

Deus 1: _ Isso e talvez mais outras epifanias! Não é ótimo?

Deus 2: _ Não sei se vão captar isso, não, hein.

Deusa 2: _ Talvez devêssemos parar de nos comunicar com eles por metáforas.

Deusa 3: _ A do Pavlov foi boa. Bem mais prática. Acho que isso eles podem entender...

Deus 3: _ Você só diz isso porque a ideia foi sua. Eu ainda insisto nos poetas, nos filósofos, nos artistas...

Deusa 4: _ Ninguém leva esses lunáticos a sério, Deus 3. 

Todos os outros deuses concordaram. 





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