sexta-feira, 25 de maio de 2018

VIDA >> Paulo Meireles Barguil

  
"– Tudo passa, tudo passará
 
E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
 
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás -
Apenas começamos

O mundo começa agora -
Apenas começamos."
(Renato Russo, Metal contra as nuvens)

Às vezes, deslumbrante e sublime.
 
Outras vezes, devastadora e saqueadora.
 
Costuma chegar e sair sem anunciar.
 
Sua duração é incerta, embora sempre tenha prazo de validade.
 
Misteriosa, para uns.
 
Insensível, para outros.
 
E, de repente, pode ser misteriosa para outros e insensível para uns.
 
Ao longo de bilhões de anos, a despeito de oferendas e investigações, ela segue incólume a sua jornada.
 
Seu DNA permanece indecifrável: apenas alguns pequenos trechos foram interpretados.
 
O desconhecido é muito maior do que se acredita saber!
 
Vestida de transitória, ela disfarça a sua permanência.
 
Temos pistas do que podemos fazer para, por instantes, conservá-la ou dizimá-la.
 
Extraordinário aprendizado é aceitar, sem reclamar e com gratidão, o que ela, sem interrupção, nos oferece e retira.
 
Feliz é quem, sereno, sopra para a vida: "– Eis-me aqui!".
 
 
[Foto de minha autoria. 22 de maio de 2018]


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Um comentário:

Analu Faria disse...

Singelo, simples, necessário. Adorei esse seu poema em prosa, Paulo!