terça-feira, 1 de maio de 2018

BIPOLARIDADE CRÔNICA >> Clara Braga

O fato do dia das mães estar chegando me deixou um pouco reflexiva, já que esse vai ser meu primeiro dia das mães com meu filhote no colo. E nesses dias eu, que não sou muito fã de frases clichês mas uso todas as que conheço, me peguei pensando no clichê máximo da maternidade: ser mãe é padecer no paraíso. Não é possível que alguém tenha definido que maternidade é padecer, embora seja uma verdade, como todo bom clichê, achei injusto dizer que é apenas padecer. Maternidade é muito mais que isso.

Ser mãe é se perguntar como em pleno século 21 as músicas principais dos brinquedos infantis ainda são dona aranha e brilha brilha estrelinha, mas mesmo assim cantar mil vezes ao dia pra ver seu filho sorrir.

É desejar que ele durma pelo menos 30 minutinhos para você dar uma adiantada nas suas coisas, mas 15 minutos depois que ele dormiu se perguntar se ele não vai acordar logo, pois bate uma saudade.

É sonhar constantemente com o dia que ele vai dormir a noite toda para você descansar um pouco mais, e quando finalmente chega o dia que ele dorme, você acorda pelo menos umas duas vezes para checar se está tudo bem!

É rezar para ele não estranhar o dia que você tiver que voltar a trabalhar para não ser mais difícil do que o normal, e depois que ele ficar tranquilo se sentir mal porque parece até que ele não sentiu sua falta.

É ficar ansiosa para a introdução alimentar e depois ficar triste por não ser mais tão necessária na alimentação dele.

É sofrer para dar vacina e sofrer mais ainda porque perdeu a data da vacina.

É jurar que nunca vai amamentar deitada até que chega a noite que ele acorda de hora em hora e na sexta vez que você precisa levantar você é vencida pelo cansaço.

É achar um absurdo quem dá papinhas industrializadas para os filhos até chegar o dia que você está na rua, não conseguiu resolver tudo dentro do tempo previsto, não tem nada pronto para ele comer e ele começa a chorar de fome. Nesse momento, uma farmácia vai aparecer milagrosamente a sua frente e papinhas de vários sabores saltarão felizes para os seus braços.

É falar que seu filho vai aprender a dormir no berço, até você descobrir que colo vicia não só para quem ganha, mas para quem dá também. E no final você aprende que nem tudo que vicia é ruim

Enfim, poderia falar por horas, mas o que disse já foi o suficiente para eu chegar à conclusão que gostaria: ser mãe é mesmo muito mais do que padecer no paraíso, e por isso tomei a liberdade de mudar o clichê de uma forma que fique mais real para mim: ser mãe é ser diagnosticada com bipolaridade crônica e não desejar trocar esse diagnóstico por nada nessa vida.


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