sábado, 10 de fevereiro de 2018

CHAPÉUS E... NOVELAS? >> Sergio Geia

 
 

Assistia à TV Globo, uma reportagem sobre chapéus.
Por falar em TV Globo, depois de muitas séries e séries da Netflix, voltei às novelas. Culpa de Ubatuba, culpa do apartamento não ter tevê a cabo.
Voltei porque já fui muito. Novelas de antigamente tinham uma pegada diferente. Julia Mattos em “Dancin’ Days”, aquela abertura deliciosa com “As Frenéticas”, o todo-poderoso Felipe Barreto, personagem de Antonio Fagundes em “O Dono do Mundo”, a linda Marcia de Malu Mader, a abertura genial com trilha de Tom Jobim, todas do craque Gilberto Braga. “Roque Santeiro”, trilha musical das mais bacanas (tenho o vinil aqui), “A senhora do destino”, Wilker, sempre Wilker, “A próxima vítima”, maravilhas criadas pelo talento do artista brasileiro, e outras tantas.
Novela de hoje não gosto, nem nome de novela tem, nome forte, que já conquista na primeira chamada. “Amor à vida”, “Sol nascente”, “Tempo de amar”, “Joia Rara”, “Além do horizonte”, “Sangue bom”, “Velho Chico”, “A lei do amor”, fraquinhos de dar dó.
Mas acabei vendo um capítulo de “O outro lado do paraíso” (desse nome eu gosto) em Ubatuba, depois outro, outro, e o peixão aqui caiu na rede. Nessa última semana ela foi só emoção. Fernanda Montenegro, sempre um monstro de atriz; Marieta Severo, idem; Lima Duarte; são tantos. Glorinha Pires (da lindinha, na cena de topless com Maria Padilha em “Água Viva”, à atriz maiúscula de hoje), Sérgio Guizé, a Grazi Massafera, que atriz se tornou, my God!, e essa menina chamada Bella Piero, não conhecia, Laura, que atriz fantástica, que emoção ela passa, Walcyr Carrasco conduzindo tão bem a trama.
Deu até para abandonar (temporariamente) “Suits”, a Meghan Markcle (sempre uma princesa), e olha que eu estava amando.
Mas voltemos ao chapéu, que é o assunto de hoje, não novelas.
Como dizia, assistia à TV Globo, uma reportagem sobre chapéus. Eram muitos chapéus, de todos os modelos, formatos, cores. Nesse Brasil que massacra sua gente, a família se viu em desespero, sem emprego, sem dinheiro, sem perspectiva. Daí a artista da família (como é bom toda família ter uma artista) resolveu criar chapéus. A coisa deu tão certo, mas tão certo, que a família toda prosperou no negócio, e hoje, a vida sorri a eles mais alegre, sempre com um belo adereço na cabeça.
Na hora, minha vontade foi me teletransportar, como naqueles filmes de ação de antigamente, entrar numa máquina, apertar uns botões, sair aquela fumaça branca e espessa, de repente, aparecer na lojinha da família no Rio, comprar um chapéu.
A empresa-família não fabrica chapéus, depois vi, apenas os enriquece com arte pura, transforma um simples chapéu num chapéu personalizado. Usando lã, Emília pinta corações de vermelho, escreve abstrações como “paz”, “amor”, “união”, “sorte”, ou nomes de gente, Fê, Julia, Patrícia, ou coisas do tipo “sou carioca”, junto com um desenho do Cristo Redentor de braços abertos, ou “sou mãe”.
Na semana passada, em Ubatuba, quase comprei um panamá. Na praia, o vendedor passou, mas estava longe, fiquei com preguiça de chamar.
Sempre que vejo alguém de chapéu, me dá vontade de ter um. Num carnaval, anos atrás, Ayl Godinho usava um alegre (e há chapéu triste?), Paulo Pereira sempre que pode tem um, Haley Carvalho postou fotos em Arraial D’Ajuda com um pequeno e lindíssimo.
Mateus Solano usava um chiquérrimo em “O menino no espelho”, Johnny Depp tem uma coleção. Aliás, há personagens aclamados no cinema que não largavam um chapeuzinho. Heisenberg, por exemplo, com aquela cara de mau em “Breaking bad”, um pork pie preto bacanérrimo; Jack Sparrow e Willy Wonka, do próprio Depp, Indiana Jones, do Harrison Ford,  Charles Chaplin e seu Carlitos, Don Draper, de Jon Hamm, em Mad Men. Tantos, tantos, lindos, gosto até da ushanka (mas só se eu fosse para a Rússia no inverno).
Chapéus, chapéus, chapéus.
Minha vontade de comprar um chapéu hoje me tirou do prumo, me fez levar você às novelas e aos chapéus.
Sorry, de coração.
Mas neste carnaval preciso de um chapéu.


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5 comentários:

João D'Olyveira disse...

Chapéus, novelas, novelos, séries. Uma existência em nossas mãos e em nossos pés...e em nossas cabeças.

Texto deveras aprazível, Sergio Geia!

PS - Em "Tempo de Amar", a presença de uma "designer de chapéus" rs Dê uma espiadinha por lá!


paulo pereira disse...

Gosto de chapéu. Quando era menino, meu e todos os seus amigos usavam. Não que a intenção fosse proteger do sol, mas garantir a elegância e o charme. Tenho cinco. Empresto a amigos, sem nenhum problema. Dois deles, um marrom e outro preto, são Ramenzoni legítimos. Ainda vou comprar um de cor cinza e aba curta, tipo Intocáveis.

Analu Faria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Analu Faria disse...

Meu chefe costumava dizer: Para nós, homens, chapéu é questão de autoestima. Perdemos os cabelos, não podemos perder também a vontade.
Nunca entendi bem, mas como era um sujeito sábio, imaginei que quando chegasse à idade dele eu entenderia. Ainda estou no processo.
Texto bacana, lerei de novo.

sergio geia disse...

Grato, João, vou ver sim. Analu e Paulo Pereira, obrigado por dividir essas histórias.