domingo, 14 de setembro de 2008

DENTRO DE MIM >> Eduardo Loureiro Jr.

Mallmix, on FlickRFalar o quê? Melhor é ouvir o sussurro das coisas. Ou seus gritos. Bonito é tocar a vida de ouvido, ouvindo e fazendo som. Uma crônica não-crônica, aguda, ou grave gravidez sem gravidade...

Na hora de escrever, meu amigo Manu Kelé me manda um poema:

Dentro de mim
Um caminho sem fim,
com flores e cheiro de amor.

Dentro de mim
Profunda beleza,
Na certeza do teu calor.

Dentro de mim
Infinito desejo,
No beijo que a memória guardou.

Dentro de mim
Você linda estrela,
Teu céu me apaixonou.

Eu ouço "Pega o violão". E pego o violão. E o violão escuta "Pega a harmonia". E pega a harmonia. E minha voz canta o que ouve e preenche as palavras que não estavam no poema mas que está na canção.



E eu bem que poderia, antes de tudo, ter guardado o poema com desculpa de escrever a crônica, talvez colocando uma etiqueta: "encontrar melodia". E teria perdido a melodia que me encontrou. Ah, o medo de viver a vida assim, ao sabor do cheiro da comida que outro preparou. Ah, o medo de perder a chance, e perdê-la — mesmo — pelo medo de a perder.

Mar de Ulisses, mar de re-mar. Mar de Penélope, mar de a-mar.

"A gente não sonha, a gente vive." O sonho não precisa se realizar — já é real. O bem, o bem, sempre o bem. Nunca o mal.

A melodia não é a mais bonita, eu sei, é só a certa melodia — meio-dia — da canção. A pino, à plena luz, a claridade da certeza. Tudo é claro. A letra branca sobre a folha branca ainda se vê... quase não se vê... está sempre lá mesmo sem ser vista. Tudo é claro. O escuro vem da sombra ancelha, ancestral, do sobre-olho de quem lê.

Medida justa de tudo é leveza de felicidade.





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8 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Eduardo, linda a poesia de seu amigo. Na hora de comentar, não consegui ouvir sua música, mas sei que também é linda. Deve ser pela justa medida do conceito prévio que se tem da qualidade do artista. :)

Anônimo disse...

Eduardo, que belo texto! Somos parentes, estou em Fortaleza, hospedada na casa da Socorro e do Arnoldo, almoçando na Lindalva, e ela me mostrou aqui rapidamente seu texto, depois de eu contar a ela que trabalho com edição de texto. Nessas férias estou por aqui tentando "ouvir os sussurros das coisas" Voltando pra SP vou ler um pouco mais, com certeza... Beijão!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Marisa, se lhe faz feliz, deve ser a justa medida. :)

Débora, continue ouvindo os sussurros do mar da Praia do Futuro.

Carla Dias disse...

Sabe o quê? É sempre bom saber de onde vêm as crias... As totalmente nossas e aquelas adotadas e lapidadas, enriquecidas. E que, de quebra, enriquecem a alma da gente de sentimentos que nem sabíamos caber onde couberam.

Gostei de saber desse nascimento... Dessa melodia... Desse poema que se achegou da sua música.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, você parece visita que chega na maternidade logo depois que o menino nasce. Pense numa visita boa que alegra até a criança que nem sabe de nada da vida ainda. :)

Anônimo disse...

que criatidade de você, gosteei muito desse poema, que você fez junto com o texto. Sou uma aluna da 6ª seerie, de um colegio, estoou aprendendo como fazer cronicas, e gostoou amando, espero que você escreva muiitas mais muitas cronicas, mais legais qdo que essa. PARABÉNS PELA CRIATIVIDADE! :)

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato, Julia! Mostre as crônicas para seus colegas de sala e para seu professor ou sua professora. Quem sabe a gente não faz alguma atividade juntos: os cronistas do Crônica do Dia e a sua turma de escola.

Anônimo disse...

ôxi Edu, é absurdo, eu não ter tempo daquele abraço, ver vc, suas cronicas e canções... Adorei o poema e o caminho da melodia! Bjim p/ vc e pro Manu