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AH, MÚSICA! >> Carla Dias >>

Assistir filmes que tenham a ver com música me agrada muito, seja ela uma personagem ou apenas um cenário; venha através de músicos ou mesmo de dançarinos. Fato ou ficção.

Na lista de filmes e séries preferidas que apontei numa das crônicas passadas – e que já atualizei, claro -, há uma série de filmes assim. Sobre alguns deles eu já escrevi aqui, como o belíssimo Assédio, de Bernardo Bertolucci, e o fantástico TAP – A Dança de Duas Vidas, de Nick Castle.

O que fui consertar rapidinho, naquela lista, foi a falta de uma série que durou apenas 1 temporada com 8 episódios... Pois é, Love Monkey não caiu no gosto popular, mas fã que sou do Tom Cavanagh - que já vinha da bacanérrima série ED, da qual foi protagonista, e hoje faz o papel do pai do agradavelmente maluquinho da Eli Stone – conferi com gosto essa série onde o personagem de Cavanagh, um executivo de gravadora, é um homem às voltas com a paixão pelas mulheres e pela música.


Na série House M.D., enquanto Hugh Laurie encarna o mais ranzinza e genial dos médicos, também apresenta seus talentos musicais. O ator também é músico e essa característica se destaca na série, seja no momento em que House escuta seus discos ou toca sua guitarra, seu violão ou seu piano. Falando em piano, no 15º episódio da terceira temporada, Half Wit, o Dr. House faz um dueto ao piano, num quarto do hospital, com o Dave Matthews, quem vive Patrick Obyedkov, um homem que, após um acidente que o deixou com desabilidades neurológicas, passou a tocar piano perfeitamente.


O último filme que assisti, e que tem a música como personagem principal, traz como cenário a Irlanda. Alan Parker já havia fisgado os apreciadores da música, em 1991, com o seu The Commitments – Loucos Pela Fama, mostrando uma banda de Dublin que tocava soul music. Do filme de Alan Parker migrou para Apenas Uma vez o músico e compositor Glen Hansard, fundador, guitarrista e vocalista da badalada banda irlandesa The Frames.

Apenas Uma Vez, do qual o título original é Once, nasceu de uma simples história criada pelo ex-baixista da The Frames, John Carney, quem pediu à Glen Hansard para utilizar algumas das suas composições e que ele criasse canções inéditas para o filme. Em um determinado momento, John, ciente de que a música era a personagem principal do filme, resolveu que melhor seria ter músicos atuando do que atores tocando e cantando. Foi assim que Glen Hansard, quem no filme de Alan Parker fez o papel de um guitarrista, transformou-se no “rapaz” de Apenas Uma Vez, um músico de rua que conhece uma pianista, Markéta Irglová, a “garota”, e entre eles nasce um forte relacionamento calcado na música.

Glen e Markéta são amigos e parceiros de composição. Foi ele quem sugeriu que ela fizesse o papel da garota, o que propiciou uma naturalidade emocionante nas cenas em que tocam e cantam juntos.



Apenas Uma Vez é um filme honesto, que encanta pela música e a forma como os personagens lidam com ela. Não há muito que discursar a respeito dele, é preciso assisti-lo... Escutá-lo para compreender o seu valor.



"Falling Slowly" - Glen Hansard e Markéta Irglová.


Falling Slowly
, uma das canções do filme composta por Glen e Markéta, ganhou o Oscar de Melhor Canção Original.

John Carney se propôs a fazer um filme de baixo orçamento, de forma que os produtores não o pressionassem. Apenas Uma Vez foi filmado em 17 dias, com um orçamento de U$150 mil.

www.carladias.com


Comentários

Anônimo disse…
Olá Carla!! Nessa cronica voce fala de algo que para mim é fundamental. A música dentro do filme.A musica tem o poder de inspirar,comover, refletir, faz agente vibrar junto com os personagens.Quem não se lembra do filme "Uma linda mulher" quando ouve a música "Pretty womam"?A música marca demais.Um grande bj! Angela
Carla Dias disse…
É verdade, Angela... Música é bom demais... Quando casada com outras manifestações artísticas fica melhor ainda.
Um outro exemplo é "aquela música do Rush" que tocava na abertura da série "Profissão Perigo", do incrível MacGyver. Lembra? A "Tom Sawyer"...
Marisa Nascimento disse…
Ah, Carla! Música é tudo! Pena eu não ter desenvolvido o dom de tocar um instrumento, assim como você!

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