BREVIÁRIO >> Carla Dias
Repensa de fazer mágoa virar mar, invadindo o medo até brotarem solidões em ondas. Há quem acredite que cada solidão daquela lhe servirá de lição emocional e, depois do aprendizado, irá saboreá-las — e saberá, decerto, o que almeja. "Decerto" não é condição que o frequenta. Ainda deseja sabores que desconhece, ruas pelas quais nunca andou, histórias que chegam sem aviso: construção de casa para servir de cais do vazio; alimento matando a fome em horário de necessidade; pessoas se desfazendo de desculpas oriundas do cansaço de não entender o que seja, quem seja. Observe esse mundo de revirar olhos e estômago. Pode parecer, mas não se trata somente dele. Desfia incômodos, reconhecendo-se protagonista de enredos que se desdobram em infernos tidos como salutares, munidos de etiquetas complementares de fazerem da reflexão o avesso do autoconhecimento. Esconder-se sempre o agoniou; considera um perder-se em si para construir o sem volta. Só que gosta de voltar e, às vezes, isso o r...