a cidade >> whisner fraga

 


saímos do canindé, atravessamos a ponta do pari e desembocamos no brás, vazio aquela hora,

procurávamos o restaurante libanês que meu amigo joão nos recomendou, mas mudamos de ideia e rumamos para uma outra casa que serve um shawarma vegano divino (a preços muito convidativos),

comemos bem, proseamos um pouco e decidimos voltar - ainda precisava despachar uns livros para bibliotecas,

fazia alguns meses que eu não passava por aquele caminho e fiquei um pouco espantando com o estado principalmente das calçadas,

algumas pessoas em situação de rua dormiam debaixo de árvores e o espaço ao redor delas limpo,

o problema foi um pouco adiante: algumas construções empilhavam entulhos no passeio, impedindo nossa passagem - o jeito foi nos arriscarmos na rua, rente aos carros estacionados: foi um susto atrás do outro, porque se tem uma coisa de que são paulo se orgulha é de desrespeitar os pedestres,

sobrevivemos,

depois um odor terrível, nauseante: três sacos enormes, um ao lado do outro, margeavam o meio-fio e deles escorria um chorume bem suspeito,

o que será que tinha lá dentro?, algo morto, com certeza,

por que o pessoal da coleta de lixo não deu um jeito naquilo?, vai saber,

aquela parte da cidade está largada, talvez os poderes se ocupem apenas da parte mais rica (e olha que estamos falando de um dos maiores bairros comerciais da cidade),

sem falar das bostas de cachorros e outros animais se misturando ao barro, todo tipo de descarte largado pelas avenidas, parte se decompondo, parte resistindo, 

restos impedindo não só o trânsito de pessoas, mas dificultando a travessia de carros, também,

helena vive dizendo que são paulo é feia, eu sempre mostrando a beleza de alguns locais, 

só que está ficando cada vez mais difícil discordar dela.


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imagem: ulleo, em pixabay.

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