SÉCULO XX? >> Albir José Inácio da Silva

 

Tentou golpe de Estado, mas mudou de estratégia para chegar ao governo por meios legais.

 

Atacou o parlamento, fez discursos extremistas, ameaçou adversários. Mas foi perdoado e alçado ao poder. Todos acreditaram que ele podia ser controlado.

 

Quando assumiu, passou a minar os fundamentos da República que o perdoara.

 

Escolheu inimigos internos por etnia, sexualidade, religião e ideologia.

 

Ridicularizou os direitos humanos, perseguiu professores, alunos e universidades.

 

Escolheu alvos externos, ameaçando de invasão e anexação as nações amigas ou vizinhas, sob o argumento de garantir a segurança militar e econômica do seu país. Ou ainda compensar-se de prejuízos por acordos anteriores.

 

Afundou embarcações estrangeiras que declarou inimigas. Sequestrou ou executou autoridades estrangeiras utilizando comandos especiais, em flagrante desrespeito ao direito internacional.

 

Atacou territórios para “libertar” os povos governados por tiranos, nomeando líderes de sua confiança e alegando que estavam incluídos no “espaço vital” ou “área de influência” de seu país. Fez planos para ocupar os territórios após a expulsão dos moradores.

 

Bombardeou fábricas e arsenais de guerra nos países que considera “do mal”, enquanto acumulou suas próprias ogivas.

 

Disseminou ódio à “raça impura”, que introduziu “genes ruins”. Criminosos e assassinos que entraram em seu país para roubar empregos e utilizar os serviços públicos que deveriam atender aos cidadãos.

 

Promoveu prisões e deportações em massa. Separou pais e filhos nas prisões. Manteve campos de concentração de prisioneiros, inclusive no exterior.

 

Promoveu perseguição por agentes especiais, que invadiram casas, escolas, empregos e templos para caçar os que ele chamou de “lixo”. Incentivou os nacionais a denunciar vizinhos e companheiros de trabalho.

 

Executou seus próprios cidadãos que ousaram defender inocentes ameaçados pelos agentes da repressão.

 

Usou os meios de comunicação para disseminar mentiras, atacar desafetos e justificar seus atentados.

 

Por fim, acalentou sonhos de governar o mundo, desmoralizando organismos internacionais e propondo outros sob seu comando.

 

Não, não estou falando de Adolf.

 

E isso não aconteceu há noventa anos. 

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