terça-feira, 17 de abril de 2018

IRONIA >> Clara Braga

Já escrevi outras vezes sofre um fenômeno que decidi chamar de ironia das datas. Esse fenômeno refere-se aos vários dias nos quais nada de muito importante acontece quando, de repente, chega um dia específico e tudo parece se concentrar naquele dia.

Em uma das vezes falei sobre a morte da atriz Farrah Fawcett, que foi pouquíssimo tempo antes da morte de Michael Jackson, será que alguém se quer lembrou de prestar uma homenagem fúnebre a ela? Claro que não, afinal, estavam todos abalados e ocupados com a morte do rei Michael.

Em outro momento comentei sobre o impeachment da Dilma. Ninguém discorda que foi algo histórico, mas por incrível que pareça, em alguns momentos parecia que importante mesmo era discutir sobre a separação de Bonner e Fátima Bernardes, afinal, será que ele estava traindo a esposa?

Outra situação semelhante a essas aconteceu muito recentemente. No dia que Cazuza completaria 60 anos estávamos prestes a acompanhar a votação do habeas corpus do ex presidente Lula. Com tanto dia disponível no ano para essa votação acontecer, foi cair justo ali, quase no dia do Cazuza, deixando sua presença um pouco apagada. 

Não tenho dúvidas de que Farrah merecia ter tido mais atenção, o processo do impeachment merecia ter acontecido com mais seriedade e menos importância para crises de relacionamento e a possível prisão de um ex-presidente, que depois acabou se confirmando, deve mesmo ser coberta exaustivamente. Diante do cenário atual, aceitaria até que Cazuza ficasse um pouco de lado, desde que suas ideias continuassem a se propagar e fossem mais lembradas do que nunca, afinal, o Brasil precisa urgentemente mostrar sua cara e apresentar ao cidadão uma ideologia na qual ele consiga viver.



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