quinta-feira, 19 de abril de 2018

IMPERATIVOS>>Analu Faria

Desenha no meu corpo o seu, como se eu fosse papel em branco e você, a tinta que estremece à espera do movimento. Apaga as noites mal gastas com amores mornos, protocolares. Reaviva a memória da liberdade ao me deixar ser a onda que sou. Embaralhe comigo os pontos, esqueça comigo as retas. Lembra-me da propagação que somos, todos nós. Lembra-me como na outra noite.

Eu sei, não preciso te pedir. Talvez o momento que eu procurava também fosse a busca sua. (Se aqui eu for sincera , a palavra "liberdade" vai se repetir mais vezes do que convém à crônica.) Mas a vida também pode ser coincidência. Sincronicidade, diz-se em bom português. Eu chamo de bom acaso esse reencontro depois de anos de proibição autoimposta.

Não há laço que nos prenda (eu não disse que me repetiria?) agora ou sempre e é o desprender-se que me faz querer voltar à sua boca, à sua cama. Sinto que caio, me entrego, doce e fortemente à promessa de nada e isso é parte da beleza toda de estar contigo. Hoje sou, hoje somos, amanhã não, como da outra vez. Agora, porém, há o brilho de ser inteira. 





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2 comentários:

Zoraya Cesar disse...

MARAVILHOSO. O que dizer dessa poesia que foi seu texto? Só isso.

Analu Faria disse...

Obrigada, Zoraya!!!