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É HOJE! >> Paulo Meireles Barguil


– É hoje! – assustado, gritei para mim: são quase 21 horas e preciso publicar a crônica quinzenal.
 
Não é que eu tenha me esquecido: achava que tinha escrito na semana passada...
 
Todos vivenciamos situações em que não nos lembramos de algo importante: seja para a gente, seja para outra pessoa.
 
Em virtude de uma perspectiva sistêmica, que procuro implementar na minha vida, sei que é necessário considerar o contexto, o processo, e não me concentrar apenas no resultado, no produto.
 
Na hora do aperto, o prejudicado não quer saber de álibi, justificativa, desculpa ou análise.
 
Às vezes, a avaria pode ser zerada, outras vezes, diminuída.
 
E quando a situação é irremediável?
 
Ou de restauro quase insignificante?
 
Ignoramos os frutos do que fazemos, mas esses são influenciados pela intensidade do nosso desejo de viver num mundo melhor.
 
É uma tragédia nós ainda sermos tão impolidos e nos ferirmos com tanta frequência.
 
A crença na separação é uma grande ilusão e fonte de muito sofrimento, motivo pelo qual é crucial desenvolver uma sensibilidade que perceba as conexões invisíveis aos olhos apressados.
 
Precisamos de mãos carinhosas, capazes de cuidar e não apenas de demandar, bem como de aceitar o momento de partir.
 
Não falta quem queira aprender a mergulhar: cada um no seu ritmo, tempo e espaço.
 
Entre esquecimentos, lembranças e aprendizagens, o nosso corpo brada: – É hoje!


[Porta Soprana – Gênova – Itália]
 
[Foto de minha autoria. 04 de março de 2013]

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