sexta-feira, 13 de abril de 2018

EU (NÃO) SOU CAPAZ! >> Paulo Meireles Barguil


Não é muito frequente, escutarmos e falarmos, para nós e para os outros: "Você é capaz!".

O que sentimos, pensamos e fazemos durante toda a nossa vida está diretamente relacionado ao modo como interiorizamos o que ouvimos.
 
Somos resultados da combinação, em proporções ignoradas, entre genética e ambiente.
 
Ainda que esses números fossem conhecidos, a combinação não o seria, seja porque a relação entre aqueles ingredientes é variável, seja porque a mão – e todo o ser – do alquimista, de vez em quando, agita o conteúdo da panela.
 
E o que dizer quando são muitos os que interagem com o candidato a alimento?
 
Talvez, por isso, há quem declare que "Panela em que muitos mexem, ou sai insossa ou sai salgada.".
 
Às vezes, desconfio que esse provérbio foi inventando por alguém que queria uma desculpa para não ajudar na cozinha, pois nunca vi um estudo transcultural e longitudinal que o comprove.
 
A despeito dos meus escassos conhecimentos da arte gastronômica, sei que o resultado final não se resume à aplicação da receita – o como fazer – pois ele é influenciado tanto pelo artífice, como pela qualidade dos ingredientes e dos utensílios utilizados, além da temperatura do ambiente.
 
Em tempos de fastfood e ifood, é compreensível que, por vezes, optemos por delegar a outrem a responsabilidade pelo que comemos.
 
Também é aceitável, embora questionável, o discurso daqueles que declaram não ter dom para manusear uma colher – de ferro, pau, alumínio, silicone, plástico... – e ajudar no preparo, mas o tem para pegá-la – ou um garfo – para degustar a iguaria.
 
O que dizer quando adotamos esses comportamentos na panela que somos nós, negligenciando a nossa única missão aqui na Terra?
 
E quando posamos de mestre-cuca diante das outras panelas?

Durante a nossa vida, escutamos, de forma explícita ou não, com muita frequência "Você não é capaz!".

A depender da situação, do emissor e de como estamos, essa frase ressoa de modo peculiar em cada um de nós, ora aceitando, ora refutando.

O efeito dela – seja para a retração, seja para a expansão –  pode durar apenas alguns segundos, mas, às vezes, persiste durante décadas...
 
Em virtude disso, eu, amorosamente, lhe lembro: "Você é capaz!".

Quanto você duvidar dessa máxima, olhe para a sua criança interior, pegue nas mãos dela, abrace-a e diga "Eu sou capaz!".


[Mão direita de Ana Beatriz Peixoto Barguil com 2 meses]

[Foto de minha autoria. 23 de julho de 2004]


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