Pular para o conteúdo principal

PARA SEMPRE >> Clara Braga

Todo mundo, em algum momento da vida, já teve que lidar com o tal do para sempre.

Confesso que, no geral, acho que as pessoas lidam até muito bem com essa conversa de eternidade.

Quem nunca fez uma jura de amor eterno até que conheceu outra pessoa e percebeu que amor eterno é muito mais do que aquilo que se tinha antes?

Ou então jurou que o melhor lugar do mundo para se passar o resto da vida era aquele em que se estava, porém, decidiu olhar para o lado e descobriu que naquele outro lugar poderia ser muito mais feliz.

Tem também as pessoas que dividiram aquele colar de amigas para sempre com a amiga da escola e hoje em dia não fazem ideia do que aconteceu com a outra metade.

E as promessas de que aquele vício ficou para trás para sempre até o fim de semana? Ah, mas fim de semana não conta vai, afinal, ninguém é de ferro.

A verdade é que lidar com o para sempre é relativamente mais fácil do que se parece porque desde cedo aprendemos com nossa querida Cássia Eller que para sempre é uma coisa que sempre acaba.

Eu também já joguei nesse time do que seja eterno enquanto dure, afinal, abrir mão de algo me parece um ótimo caminho para que novas portas se abram, mas há sete meses toda a minha teoria mudou. Fiz um exame de sangue e descobri que seria mãe. Nunca me senti tão confusa, feliz, triste, assustada, indefesa, com medo e destemida antes em minha vida, e o nome disso sabe qual é? Para sempre! 

De agora em diante serei para sempre mãe desse pequeno. E não é só esse laço que é para sempre, uma criança une pessoas que muitas vezes nem escolheram estar juntas ou dividir algo na vida, mas não é uma opção, elas estão conectadas para sempre, gostem ou não.

Não gosto de discordar de grandes ícones e sei que falando isso não estou discordando só de um ou dois, mas de muitos. Mas agora, só agora, entendo que para sempre é algo tão grandioso que nunca vão conseguir definir, pois algo só é para sempre quando a gente sabe onde começa, mas daí para frente só Deus sabe no que vai dar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …