sábado, 8 de abril de 2017

WALTER WHITE OU MICHAEL SCOFIELD? >> Sergio Geia

 

Não sou muito dado a essas séries da Netflix. Mas minha filha é e vive me mandando assistir a alguma coisa. Como os gostos de uma adolescente certamente não se equiparam aos gostos de um quarentão, um dia resolvi dar uma espiada, mas não sem antes pedir a indicação a um amigo.
A qualidade é indiscutível, os episódios são curtos, as histórias são bem boladas. Assisti a toda a primeira temporada de House Off Cards, mas depois cansei. Na verdade, era tanta engenharia de enganação política (não mais que a política brasileira) que resolvi abandonar. Talvez seja isso: overdose. Leio diariamente os jornais, sempre carregados de falcatruas de nossos representantes; não daria certo ter como diversão de final de dia a síntese do que há de mais vil na política. Enjoei. Mas não foi isso não; foi algo mais estético, eu diria. Acho que senti a falta da Zoe Barnes, a quem me afeiçoei logo à primeira olhada. Ela sumiu da história, e eu sumi também.
Fiquei algum tempo sem voltar à Netflix, até que outro dia, o mesmo amigo de House Off Cards me indicou Spartacus. Trata-se de uma série criada em 2010 por Stven S. Deknight que conta a história do gladiador trácio que chega a liderar um exército contra Roma. Assisti a todos os episódios de todas as temporadas. Gostei. Triste com o fim e animado com a descoberta de uma nova forma de entretenimento, emendei com Spartacus, Breaking Bad, Narcos  e Prison Break; foi quando me deparei com Walter White e Michael Scofield.
Scofield, que protagoniza Prison Break, é um jovem gênio, que comete um crime apenas para ser preso na mesma penitenciária onde seu irmão cumpre pena, injustamente condenado, prestes a ser morto na cadeira elétrica, e que está no centro de uma trama diabólica que envolve até a presidente dos Estados Unidos; Scofield tem tudo planejado para tirar o irmão de lá. White, que protagoniza Breaking Bad, foi eleito o melhor personagem de séries de todos os tempos, numa pesquisa realizada pela revista Empire. Professor de química, comum, inexpressivo, com sentimento de inferioridade, mas gênio em sua matéria (o desenrolar da série vai mostrar que o White Heisenberg é muito mais que isso), condenado à morte por um câncer no pulmão, passa a produzir metanfetaminas, e se torna um dos maiores produtores da droga dos Estados Unidos. Diversos fóruns discutem quem é o personagem mais inteligente: Walter White ou Michael Scofield?
Ambos, na verdade, são gênios e conseguem superar situações limites apenas com o uso da genialidade. White parece ter uma inteligência mais sutil e refinada; Michael tem um conhecimento denso sobre todos os assuntos (sabe aquela frase “todos somos ignorantes, porém em assuntos diferentes”?; pois é, Michael foge dessa regra; sobre todas as áreas do conhecimento humano, ele tem dados, elementos, informações), e uma capacidade incomum de planejamento. Scofield, como disse um amigo, trabalha num emaranhado muito mais complexo de relações do que Walt; por isso, a sensação que Prison Break passa, de que sempre as coisas não saem conforme planejado. O número de pessoas envolvidas e situações limites são muito maiores e exigem muito mais de Scofield. Talvez por isso eu diria que, se tivesse que apostar em um, apostaria em Michael Scofield.
Mas o que importa também saber quem é o mais inteligente? Ambos são personagens complexos, densos, as séries são ótimas, justificam o tempo gasto na frente da televisão.
Em alguns dias da semana é assim: eu chego em casa, tomo um uisquinho e antes de comer — e quem sabe terminar a noite com um bom Philip Roth nas mãos —, dou uma espiada em Prison Break .
P.S. Na semana passada eu acabei a quarta temporada; nem preciso dizer que na terça eu fiquei grudado na Fox, certo?


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8 comentários:

Zoraya disse...

ahahaha, mais um capturado pela telinha. Nossa queridíssima Carla Dias tem sempre ótimas dicas para assistir na televisão!
Depois vai nos contando o que você anda vendo, Sergio. Se essa crônica já saiu boa, imagina as próximas!

sergio geia disse...

Ando vendo muito futebol (rsrs). Mas sério, Zoraya, nunca gostei muito de série, mas fui pego, confesso. A quinta temporada de Prision Break promete. Ah, e essa smart também é o bicho. A gente consegue assistir só o que tá a fim, é uma maravilha! Bjs e obrigado mais uma vez por estar aqui.

bru disse...

Na minha família é ao contrário: Meu pai que insiste para eu assistir séries, mas não tenho foco suficiente para acompanhar nada que tenha muitos episódios.
www.umavidaemandamento.blogspot.com

sergio geia disse...

Olha, Bruna, muitos episódios também me cansam um pouco; aconteceu isso com House Off Cards. Não aconteceu com Spartacus, Breaking Bad, Narcos e Prison Break. Aliás, quando elas terminaram senti algo estranho, um vazio. Coisa louca essa, não? Obrigado pela visita e parabéns pelo blog. Abraços!

Anônimo disse...

Eu assisto muito com meu enteado e confesso quando acaba uma série, fico na expectativa de uma nova temporada,é contagiante RS.

sergio geia disse...

É assim mesmo, amigo anônimo, e obrigado pela visita.

Gustavo Amarante disse...

Gostei das lições de irmandade no Prison Break, irmão condenado injustamente, envolvido com bandidos e mesmo assim o irmão inteligente rico e bem de vida se empenha em tirá-lo da cadeia. Bela crônica!!!

sergio geia disse...

Valeu, Gu! esteja sempre por aqui!