quinta-feira, 20 de abril de 2017

UM ALGORITMO PARA CHAMAR DE SEU>>Analu Faria

Algoritmo é um conjunto de medidas/passos a serem tomados para a realização de alguma coisa. Tipo uma receita de bolo. Por conta deles, por exemplo, uma rede social aparentemente pode predizer que preço o fabricante de roupa pode te mostrar no site que você acessa para comprar a roupa ou o Netflix  pode decidir o tema e o roteiro da próxima série que renderá alguns milhões.

Lembrei-me do quanto se fala do "poder" dos algoritmos enquanto lia hoje sobre a Análise Econômica do Direito, uma disciplina pouco estudada no Brasil e com uma quantidade considerada de adeptos nos Estados Unidos, cuja razão de ser é aplicar as premissas de economia clássica ao estudo do comportamento humanos considerando as leis. Para a AED, mulheres e homens são seres individualistas, racionais, com desejos ilimitados e enfrentam a escassez de recursos do meio em que vivem. Aplicam isso ao direito considerando que as escolhas humanas são feitas na base do custo/benefício, o que poderia explicar, por exemplo (segundo os teóricos de AED), porque o sujeito X cometeu um crime ou não delatou seu comparsa.

No meio da leitura, já misturando AED com algoritmo, lembrei-me (e comecei a rir) da "Teoria da Vaca Velha", inventada pela personagem Jane Goodale (interpretada por Ashley Judd) em um filme pop-sessão-da-tarde (bom, talvez nem tão sessão da tarde por conta da classificação indicativa) chamado "Alugém Como Você". No filme, Jane leva um pé na bunda e inventa uma teoria para justificar o fora: segundo ela, bois não gostam de acasalar repetidas vezes com a mesma vaca; o mesmo aconteceria com os homens. O mais engraçado não é a analogia, mas o fato de que Jane conta para uma amiga sobre a invenção da teoria e, juntas, elas criam o cenário para que a tal teoria vire um hit, por meio, inclusive, da invenção de uma suposta cientista indiana de prestígio que seria a autora da teoria (o que, é claro, é completamente fake). Jane e a amiga levam a mentira até as últimas consequências, quando são obrigadas a contar a verdade, em cadeia nacional.

Em algum ponto do filme (não me lembro qual), o personagem de Hugh Jackmann (Eddie Alden), em um dos poucos momentos em que o personagem mostra alguma sensatez , decide dar uma dura na colega Jane (os dois trabalham na produção de um progama de TV), dizendo que homens não são bois e que o ser humano é muito mais complexo que um animal, o que é absurdamente irônico, porque Eddie é o mulherengo da história.

Vou dar um spoilerzinho agora: como todo filme água com açúcar, "Alguém como você" mostra, ao final, que Eddie tem sentimentos, sim senhora, e por isso se ofendeu tanto com a teoria de Jane. Eu às vezes sou meio Eddie com relação a essa gente que acha que a probabilidade vai nos salvar das incertezas inexoráveis de nossa humanidade.









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