segunda-feira, 24 de abril de 2017

AMÉRICA ALTERNATIVA >> André Ferrer

Sob o estrondo da Lava Jato e da Reforma Previdenciária, marulha o desejo governamental por redefinir as leis que regem a imigração. Em outras palavras: há uma vontade atropelada de facilitar o acesso de estrangeiros num contexto geopolítico merecedor de uma cuidadosa e profunda análise. Os defensores da ideia, rasteiros e populistas, alegam que tal reforma alavancará a nossa economia. Será? É disso mesmo que a nossa economia precisa?

Logo nos primeiros anos desta colônia, a questão do estrangeiro já foi resolvida. Com ou sem facilitadores legais, o futuro destas praias, como paraíso e refúgio, apenas replicará um passado cheio de cancelas gentilmente levantadas.

Muito em breve, os principais países da Europa estarão fechados. Assim, a América do Sul, de novo, brilhará como o melhor destino para toda e qualquer criatura.

Na França, alvo sistemático do terrorismo islâmico, é inevitável que se abaixem os ferros. Há tanto pânico nas ruas, que até a esquerda já admite restrições - se bem que algumas horas atrás, nas eleições de 23 de abril, o Partido Socialista ficou fora do pleito presidencial numa derrota histórica. Para o segundo turno: Le Pen e Macron. Este, ainda que se apresente menos endurecido que Le Pen, é um liberal e pensa como um banqueiro. Macron é o sócio francês da família Rothschild.

Logo, os expatriados não contarão mais com a Europa. Fugirão, às grandes levas, para uma América alternativa, isenta de Trump - este Shangri-La situado abaixo da Linha do Equador. Consequentemente, como povo hospitaleiro e pimpão - que já recebeu nazistas, terroristas italianos e carniceiros vindos de ditaduras africanas -, aqui estaremos com os nossos braços abertos.

Em 2015, autoridades espanholas flagraram
 o menino marfinense Abou, que
chegava à Europa dentro de uma mala
Fora de dúvida, o que o governo pretende afrouxar no papel, o povo brasileiro já afrouxou na prudência e na sensatez há décadas. Gente que não se questiona. Gente que não questiona a moral e a ética das pessoas que governam o seu próprio país. Gente que aceita qualquer vara no traseiro! De fato, uma gente assim jamais questionará a qualidade de quem chega de um mundo tão injusto e assassino. Terreno fértil para radicalismos, país nenhum está livre de ser. Nesse jogo de conspirações e inimigos sem rosto em que, nas últimas décadas, o nosso planeta se tornou, temeridade é mesmo quando se deixa tudo ao deus-dará.

Com ou sem reforma, sempre haverá pouco discernimento e muito "boboalegrismo" brasileiro no ato de identificar e apartar indivíduos criminosos da massa de verdadeiros pobres coitados. Afinal, ter um pouco de razão e cautela é pedir muito para o nosso caloroso e relaxado caráter. 


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Um comentário:

ze disse...

André, como sempre texto firme, mas eu, particularmente, fico indignado com a ideia de "não acolhimento" a quem quer que seja. Não acho que a Europa, EUA, ou qualquer outro lugar sabem ou elaboram melhor que ninguém,são só mais protecionista, não são o supra sumo em nada, têm cara e jeito de "Papai-sabe-tudo", uns "narizes-empinados". Não tenho nada contra acolher refugiados, antes imigrantes, eu disse "acolher" o quê não quer dizer praticar "boboalegrismo"! Sem ser ingênuo, de quê seve então ser humano, solidário? Nenhum país está isento de Trump!Nem o próprio EUA!
Fomos, acolhidos, num passado não tão distante, numa época de guerra em andamento, diferente de um "medo" em eterno processo...Sim, há regiões, Síria, etc...que sim, seus cidadãos carecem de apoio urgente....O Brasil é sim um caldeirão de Etnias, tem imigrantes de tudo que é lugar, talvez um país único, neste sentido. A ONU, se tornou inoperante, há tempos, quem "obedece" suas decisões atualmente?...desde a Guerra no Iraque....ela caiu em descrédito!Dentro de critérios razoáveis, devemos sim acolher, os agora "refugiados", antes "trabalhadores de outros países". Quem no Brasil não tem raiz em outro país? Fomos acolhidos, devemos, agora, acolher. Abraços, José Luís O.Bombonatti