quarta-feira, 11 de junho de 2008

VAI QUE... >> Carla Dias >>

Vai que o mundo desabe, justo hoje, sobre nossas cabeças desprotegidas. Um chapéu, então, flores e cores, decoração de jardins nessas nossas cabeças que, mesmo quando ocas, deitam no colo dos amores e pensam melhor. Pensam com afeto.

Vamos logo pôr as roupas no varal, a comida no fogo; vamos preparar com antecedência os preparativos com hora marcada, aniquilando a certeza de que o tempo é o do relógio e conduzido pelos prendados. Vamos pregar uma peça no tempo, porque ele, meus caros, é um doido varrido. Merece um carnaval de horas desembestadas.

E dá-me cá tua mão, então! Vamos cultivar um enlace, ainda que seja no susto, nos valendo do que Vinicius disse em seu poema: “eu te peço perdão por te amar de repente / embora o meu amor seja velha canção nos teus ouvidos”... E cantarolar sentimentos nessa antecipação romântica. Vamos endoidecer de vez de amor dos sinceros, que é para que o fim seja um começo dos mais inspirados; e tropecem os minutos diante dos beijos trocados, nos arrabaldes dos desfechos.

Mesmo que engasgue, que o corpo trema numa dança desengonçada: diga. O que pertence ao teu sentimento, diga num repente, numa bossa, num rap, numa poesia. Desembuche que é pra não deixar as querenças interrompidas. Diga com a nudez oferecida pela urgência dos segundos.

Vai que hoje esse mundo, numa receita sem medidas, faça de nós gatos e sapatos e nos ensine, na alegoria das suas idas e vindas, a superarmos o medo. E desabe sobre nossas cabeças as idéias, das que ao invés de pôr abaixo o mundo - e por serem nascidas no colo do afeto –, construam um tempo sem tempo para as declarações de amor, para as festas às sextas-feiras; para descansar o olhar no horizonte, para uma política mais justa, para a tolerância. E para as gargalhadas que, dizem por aí, fazem bem à saúde.


Imagem: Jander Minesso >> http://www.flickr.com/photos/tantofaz

www.carladias.com


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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Eita, dessa vez peguei a crônica quentinha, saída do forno. E ela está gostosa feito pão quente que queima a mão, o lábio e a língua da gente. Gosto de felicidade eterna e de alegria imediata. Feito lembrança do tempo em que tudo era fácil.

Andreia disse...

Carla,

adoro seus textos desde o EPE...
Agora que te reencontrei, virei sempre aqui!

Bjs
andreia(ex-Samanttha)
(do extinto Amor Proibido)

Andreia disse...

Carla, adorei seu texto tbm, mas nao era de vc que estava falando... me confundi...

é a Carla Rodrigues...

Desculpe-me,
Andreia

Carla Dias disse...

Andréia... Sem problema : )
Que você reencontre a Carla Rodrigues!