domingo, 22 de junho de 2008

UM A MAIS >> Eduardo Loureiro Jr.

Ana Cotta Há um quarto a mais na casa. Uma suíte onde não se pensava haver nada. Um guarda-roupa, uma cama, uma estante e um banheiro comprido e espaçoso. Um quarto de hóspedes sem hóspedes que pode ser usado pelo dono da casa.

Há um canto a mais no ar. Um som onde só havia silêncio e barulho. Uma nota, uma melodia, um arranjo e uma canção de letra delicada. Uma música procurando o seu ouvinte.

Há um pensamento a mais na mente. Uma idéia onde só havia oposição. Uma palavra, uma expressão, um sentido e uma história desmemorada e conhecida. Uma vida contando seu rumo.

Há um sorriso a mais na cara. Uma alegria onde só havia dentes. Uma brecha, uma abertura, uma expansão e uma fé capaz de mover a si mesmo. Um encontro de si consigo.

Há um tempo a mais, um sonho a mais, um milagre a mais, um detalhe a mais... de tudo um pouco a mais guardado entre as dobras do que se vê.

E há o espanto — libertador — desses achados.

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5 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Eduardo, você sempre consegue desalinhar sentimentos guardados bem ajeitadinhos (ou não)aqui dentro. Mas este texto arrasou! "Uma alegria onde só havia dentes" diz tudo...
Beijo!

leonardo marona disse...

"Uma alegria onde só havia dentes". Essa ilustração é realmente aterradora de tão lírica.

um grande abraço, poeta das pequenas horas, profeta dos minutos.

leo marona.

Hebinha disse...

Há uma beleza a mais entre as palavras escritas pelo poeta.
Beijo,
Hebinha

Samara disse...

Nós não nos conhecemos totalmente, na casa que talvez represente nossa vida, existe esse quarto que está sem hóspedes, que é a parte que não é vivida, que é deixada para trás, perdendo certas oportunidades, não existindo certos sentimentos, momentos, dores. É preciso tentar conhecer a “casa” inteira, para que não se perca as coisas que devem aqui serem vividas , devemos conhecer todos os cômodos, todos os pensamentos, expressões, sentidos. Devemos nos encontrar, e fazer dessa casa mesmo que não seje a melhor, nossa verdadeira mansão.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Marisa, que bom ter desalinhado possibilidades em seu sentimento. :)

Léo, muita alegria e dentes pra você.

Hebinha, seu comentário bem que poderia fazer parte da crônica. :)

Samara, grato por ter "traduzido" o texto. :)