terça-feira, 12 de junho de 2018

QUEM É A CRIANÇA MESMO?? >> Clara Braga

Sei que a data pede uma crônica de amor. Talvez, dependendo do seu ponto de vista, o que estou prestes a contar pode ser puro amor. Porém, para uns pode parecer loucura pura. Mas tudo bem, afinal, amor e loucura não estão intimamente ligados?

Bom, lá estava eu sentada em um restaurante almoçando. Já reparei que meu filho, embora tenha apenas 8 meses, já é muito simpático. As pessoas olham para ele ele começa logo a sorrir. Se no local onde estamos tiverem outras crianças, aí é que ele ri mesmo. Dá uns gritinhos para chamar a atenção da outra criança e estica os bracinhos indicando querer chegar perto. Até então, a aceitação da tentativa de contado dele, mesmo sendo limitada, tinha sido de 100%, por isso imaginei que isso fosse uma "coisa de criança", elas se comunicam, se entendem e interagem por gostarem de outras crianças.

Eis que senta à mesa logo atrás um casal com seus três filhos. Pela conversa dava para perceber que eram estrangeiros, mas isso não vem ao caso nem justifica nada.

Quando meu filho viu aquelas três crianças já começou a olhar e encarar, na esperança de que um deles olhasse para ele. Rapidamente a menina olhou para ele e ele abriu seu sorriso, satisfeito por ter feito seu contato visual. Fiquei acompanhando, sempre acho muito divertida essa interação entre crianças. Mas dessa vez as coisas não saíram como esperado, a menina começou a fazer cara feia para o meu filho. Ele nem ligou, continuou sorrindo. A menina fazia caras ainda mais feias, meu filho continuava sorrindo e eu já começava a não gostar da situação. Foi então que a menina cutucou a mãe, apontou para o meu filho e reclamou com sua mãe que ele estava olhando para ela e ela não queria que ele olhasse.

A mãe, que já deve estar acostumada com essa situação, olhou meu filho, sorriu e ignorou a reclamação da filha. Já eu, antes mesmo que pudesse imaginar já estava falando pro meu marido: você não acredita o que está acontecendo, essa menininha está reclamando do nosso filho para a mãe, que menina mais chata! Depois, quando ninguém olhar para ela ela vai achar ruim!

Sim, eu sou uma pessoa horrível e depois de racionalizar a situação, vi o quão cruel era meu comentário. Mas, já era tarde demais. Pelo menos não entrei na onda e dei língua ou fiz cara feia para a menina também. Todo mundo diz que quando nasce uma criança, nasce uma mãe. O que nunca dizem é que essa mãe pode se tornar mais infantil que seu próprio filho. Coitada de mim quando esse menino entrar na escola, já vi que vou sofrer... ou pagar muito mico.


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