quinta-feira, 14 de junho de 2018

GATOS>>Analu Faria

Há alguma coisa no movimento dos gatos que deve se assemelhar ao movimentos dos deuses. Sabe as histórias mitológicas em que seres divinos se moviam sem esforço pelo céu, pairavam sobre águas, flutuavam no vazio? Os gatos fazem tudo isso. O céu, no nosso pobre cotidiano, são os telhados das casas. As águas são as poças que se formam depois da chuva, mini-piscinas de sujeira por sobre as quais qualquer filhote de gato sabe pular. Ah, o pulo do gato! Contemple um pulo de gato e você saberá o que é flutuar no vazio.

Não há o que o gato faça que não fascine um bom humano. Podiam mesmo mudar aquele versinho de samba para "Quem não gosta de gato bom sujeito não é." A forma como se aboletam nas suas pernas quando você tenta dormir ou a preguiça durante quase todo o dia, que se transforma no fuzuê das três da manhã, é tolerada com parcimônia por qualquer um que tenha um arremedo de coração. Não entendo por que não dizem que o gato é o melhor amigo do homem.

Também não sei  por que essas criaturas tão incríveis, que já vivem conosco há tanto tempo, não foram ainda completamente domesticadas. Sim, o gato é considerado um bicho ainda "meio selvagem". Talvez isso explique as brincadeiras e o esconde-esconde num apartamento de quarenta e cinco metros quadrados. Para ele, esse ínfimo território é uma selva. Para o gato, tudo há de ser explorado, ainda que pela milésima vez. Êta coisa boa ser gato e fazer do mesmo lugar sempre uma aventura nova! Deve ser assim que nem ser mulher.




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