sexta-feira, 8 de junho de 2018

NINHO >> Paulo Meireles Barguil

 
"Todo mundo quer voar além
Mas é preciso aprender."
(Paulinho Pedra Azul, Voarás)

Rubem Alves, na crônica Gaiolas ou asas?, declara o seguinte aforismo: "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.".
 
Inspirado nele, eu postulo que "Há famílias que são gaiolas. Há famílias que são asas.".
 
Talvez, seja mais adequado dizer que não existem escolas e famílias puras nas categorias acima.
 
Escolas e famílias são constituídas de pessoas, que, por motivos diversos, oscilam, durante a vida, nesses dois polos.
 
Portanto, somos, cada um de nós, gaiola e asas, para a gente e para os outros.
 
As minhas asas podem ser gaiola ou asas para outra pessoa.
 
Da mesma forma, minha gaiola pode ser gaiola ou asas para outro indivíduo.
 
Por mais que goste e precise de voar, um pássaro não faz isso o tempo todo.
 
Há várias pausas, as quais possuem finalidades diversas.

Lembro-lhe, também, que várias são as aves: cada uma se desloca de modo peculiar.
 
A família é o ninho do ser humano: nela recebemos os nutrientes para, posteriormente, voarmos.
 
Quase todos nos queixamos que não fomos zelados como queríamos, mas ignoramos o fato de que nossos cuidadores fizeram o seu melhor.
 
Se não nos deram – mais – amor é porque não o tinham para dar.
 
Simples assim.

Interagimos, com graus distintos de proximidade, com várias pessoas no cotidiano.

Às vezes, em virtude dos seus movimentos, parece que algumas delas são cobras e não aves, mas a natureza, que é repleta de predadores, possibilita várias camuflagens.

Aos olhos de si mesmo, alguém pode avaliar sua atitude como típica de um pássaro, mas a outros olhos ela pode ser entendida como característica de uma serpente.

Ficar no ninho é uma opção sensata para evitar ser devorado, mas ela não pode se tornar o padrão, sob pena de não progredirmos.

Durante a troca das asas, que acontece com frequência e duração variadas, recolher-se é um imperativo.

Nessa fase, podemos curtir o presente e olhar para a futuro e não somente para o passado.

Tentar desprezar o vivido é ignorar o fato de que ele está dentro de nós, motivo pelo qual, em prol de viagens mais proveitosas, é sensato analisá-lo e compreendê-lo, de modo especial para identificar o que podemos em nós modificar.

O céu nos espera...
 
 
[Eusébio – Ceará]

[Foto de minha autoria. 16 de julho de 2017]
 

[Crônica dedicada aos estimados tios Pierre Brasileiro e Walter Pavam, que, recentemente, foram voar em outra dimensão. Permanecem, nos familiares e amigos, as incontáveis atitudes e palavras repletas de amor]


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