terça-feira, 12 de dezembro de 2017

CANÇÕES DE NINAR >> Clara Braga

Sei que o cravo e a rosa brigaram, um saiu ferido e a outra despedaçada, mas e depois? Lembro que teve algo como uma visita, mas não lembro do final da história, eles ficam juntos? A música tem um final feliz?

E a estrelinha? Eu sei que ela brilha lá no céu, mas tenho certeza que apesar de curta, essa música tem mais do que duas frases.

Tem também a Dona Aranha, essa sim era guerreira, lembro que subia a parede, vinha a chuva tentando atrapalhar mas ela estava sempre lá, continuava sempre a subir, mas ela chega onde queria? Não lembro se no final ela venceu a chuva ou a chuva a derrubou de vez.

E o balão? Que tipo de música é a música do balão? A gente cantava mesmo pedindo pro balão cair? E ele cai?

Lembro da música dos Escravos de Jó, eles jogavam alguma coisa que eu nunca descobri o que era. Inclusive, essa música foi uma das que menos cantei, minha dislexia não me permitia participar do jogo e ainda cantar ao mesmo tempo, era demais para mim.

O Alecrim conseguiu nascer no campo sem ser semeado, e por lá mesmo deve ter ficado porque não me lembro de mais o que poderia ter acontecido com ele.

É, histórias e músicas infantis são mesmo um problema de família. Passei a vida perturbando meu pai pois ele não conseguia contar nenhuma história até o fim sem dormir, então eu só fui saber o que aconteceu com João e Maria, por exemplo, muito tempo depois. 

Com meu filho vai ser igual, se ele demora mais do que 10 minutos para dormir já começa a ouvir um repertório repetido e, pra piorar, com as músicas todas pela metade. Tenho certeza que chega uma momento que ele dorme não por estar com sono, mas para não ouvir mais as metades das músicas que eu canto! Bom, de uma forma ou de outra, pelo menos meu objetivo de fazê-lo dormir é atingido.


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