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UBATUBA, ENFIM >> Sergio Geia


Anote: requisito indispensável para um bom ano é começá-lo tomando banho de mar. Mais do que iodos e salinidades, o mar é divino, e compartilha com você toda a força, a energia, o poder dessa coisa mágica, sobrenatural, onipotente, que nem conhecemos direito, mas que podemos chamar aqui de natureza. Assim pregava o pai de Clarice Lispector, lembra? De Recife a Olinda, de bus, bora tomar banho de mar, purificar a mente-corpo-espírito, livrar-se das urucubacas, restaurar as energias, alcançar a plenitude de todo o seu ser. E espere duas horas para tomar banho de água doce, okay?

Em Ubatuba você encontra esse mar na forma mais sublime e sofisticada que possa existir. Sofisticação de que falo aqui não é ostentação, grana, penduricalho. É delicadeza, canção do Armandinho, refresco para os olhos, corpo, mente, espírito. São praias maravilhosas, as mais bonitas do Brasil. Discorda? Então você nunca esteve em Ubatuba. Copacabana é a nossa princesinha. Torres tem praias especiais. Joaquina é deslumbrante, com sua água transparente. Camboriú também é sensacional. E a Praia de Vilas, então, na região metropolitana de Salvador? Show. Mas venha conhecer a praia da Fazenda, por exemplo, e você se sentirá num pedacinho do céu. Quer agito? Itamambuca, Grande. Quer sossego? Enseada. E mais: Almada, Félix, Estaleiro, Perequê-Açu (sim, senhor!). É uma praia diferente da outra, vários tipos ao gosto do freguês. Insuperáveis. 

Estar aqui em janeiro e julho é essencial para mim. Em janeiro, para começar o ano bem, restaurar as forças. Em julho, para dar um up, uma levantada, manutenção da máquina para o resto do ano. Mesmo porque em julho ainda tem a Festa do Divino na Exaltação à Santa Cruz, e tem tainha. Mas em 2018 não pude vir em julho, as férias voaram; também fiquei um período em Sampa, no curso da Ivana. Mas, enfim, aqui estou, em Ubatuba. 

Já tomei 7 banhos de mar. Contamos. Eu e Chiara. Assim como em “O Crime do Padre Amaro”. Espero deixar a cidade com pelo menos 20 banhos. Será que consigo? Já comi a tal da carcamana na Pizzaria São Paulo (vou repetir); ainda vou ao Tachão tomar sorvete de forno, comprar bananinhas com chocolate e temperos (os temperos de lá são ótimos); vou passar na Nobel, ver se encontro “Energia ao Quadrado”; comer um hambúrguer no Mango; tomar um drink no Recanto das Toninhas, no piano-bar, ao som de João Guarnieri e Anallu (chiquetérrimo); continuar tomando cafés na Integrale (hoje comi meio papaia com chia e linhaça ― show de bola ― batendo um papo saboroso e quântico com o João Guarnieri, ele mesmo, o pianista, primo e revisor desses textos); comer um lanche tardelliano (salve, Lucas Tardelli!) naqueles carrinhos que ficam ao lado da feirinha, porque ninguém é de ferro; aff! Depois não sabe o porquê de retornar à vidinha suburbana de sempre com 5 quilos a mais, e fica todo doido, brigando com a balança. 

Coisa do homem do século 21, mas fazer o quê? Férias são férias e não dá pra patrulhar, certo?

Gente, o tempo hoje aqui em Ubas amanheceu feio, choveu a noite inteira, as previsões são obscuras, algo parecido com uma tromba d'água. Cruzes! Que Deus nos proteja, proteja você e a todos nesse 2019 que está apenas começando. 

Vou indo em busca de mais um banho pra minha coleção. Com céu cinza, chuva, mar brabo e tudo. E a gente se importa?

Comentários

Anônimo disse…
Grande Géia!!! Só quem conhece Ubatuba e suas belezas naturais com suas peculiaridades, define como a melhor faixa do litoral brasileiro!!!
sergio geia disse…
É tudo de bom! Pena que a prefeitura cuide tão mal daquela cidade linda, apesar das elevadas taxas cobradas para estacionar
João Guarnieri disse…
Bem que poderíamos ter mais papos como o dessa vez, Sergio. Foi muito bem!
Grande abraço!
cesar dos santos disse…
Muito boa, uma leitura obrigatória Sérgio. E que na próxima ida você passe de 30 banhos de mar. Abraços.
sergio geia disse…
João, foi ótimo mesmo. Preciso ir mais para Ubatuba. Cesar, 30 banhos é uma meta arrojada. Com 30 eu volto para a vidinha voando
Zoraya Cesar disse…
Característica de um grande escritor: fazer uma descrição que nos faz sentir como se estivéssemos no ambiente, e, ao final do texto, nos dá vontade de voar pra lá.
Salve Cronista das Pequenas e Lindas Coisas

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