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QUAL É SEU NÍVEL DE FELICIDADE? >> Mariana Scherma

Foto: Greyerbaby/Pixabay


Eu sempre questionei muito sobre a felicidade. Uma época, queria ser feliz. Como se felicidade fosse um país, que pede visto e o raio que o parta pra deixar a gente entrar e usufruir. Hoje, entendo que felicidade são momentos colecionáveis. A gente tem uma estante com vários deles, que fazem aquele carinho sempre que olhamos pra essas recordações. Exemplo: eu sou feliz pelos meus pais e todas as nossas lembranças, pela gatinha deles, pelas besteiras que falo com meu namorado, por alguns amigos, enfim. Várias coisas. Uma colcha de retalhos.

Um livro que li ano passado (Sapiens, indico muito), fala, em um momento, sobre a felicidade. De acordo com algumas teorias da biologia, o ser humano tem uma escala de felicidade. Tipo de zero a dez mesmo. A de algumas pessoas vai até 10. São as pessoas que são animadas, acordam de bom humor ou ficam assim logo que tomam seu café. Mesmo que algo ruim aconteça a elas, elas têm a capacidade intrínseca a elas de entender que as coisas logo melhoram. Elas deixam rolar.

Mas existem as pessoas que mal chegam a um nível sete de felicidade, ficam lá pelo 5/6. Essas pessoas são sempre céticas, veem tudo o que vai dar errado antes de dar, carregam uma ansiedade que as impede de aproveitar as coisas boas porque logo elas acabam. Quantas vezes já ouvi meu pai dizendo “você ri muito, logo, logo vai chorar”. Meu papis é um típico nível seis. Eu não vejo ele exultante com algo. Se o Corinthians ganha, é porque vai perder na próxima. Como se a gente tirasse a felicidade de um poço altamente esgotável. Mas espera: mesmo que esse poço seja esgotável, a gente vai deixar a felicidade lá parada, sem usar?

Pra mim, essa questão do livro sobre a felicidade fez muito sentido. Depressão e outras doenças mentais têm tudo a ver com a química do cérebro que não permite que as pessoas entendam que as coisas passam, melhoram e outros dramas surgem. (Parênteses necessário: Não sou médica, sou só uma jornalista que já escreveu e entrevistou sobre). Porque a vida não para. Pense nas pessoas que você conhece. Com certeza vai conseguir identificar os níveis dez e seis, ou até menos.

É uma baita sorte meu cérebro não ser míope para as coisinhas que coloco diariamente na minha estante da felicidade. Mas eu acho que dou uma ajuda a ele. Sempre paro para refletir ao que devo ser grata. No fim de 2018, me surpreendi com o tanto de coisa para ser grata, apesar dos contras. Acredito que a gente pode ajudar o cérebro. Se sozinho não der, dá pra pedir ajuda médica. Só não vale deixar o poço da felicidade parado, juntando dengue. Vou tentar convencer meu velho pai disso.

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