Pular para o conteúdo principal

NULIDADE >> Carla Dias >>


Luz apagada, para ver nada de nada de nada. Nem teto quer ver, assume. Nem assumir quer, assume. Nem assumindo se convence. 

Que diferença faria se convencesse? 

Nada de nada de nada. É o mínimo do mínimo em um universo de sem-fim. Mesmo que se aproximem dele, esse um e aquele outro, que digam que a vida necessita do que ele tem a oferecer, e gargalhem da sua falta de pretensão, afinal, quem vence na vida sem desejo de domá-la? 

Nunca quis domar a vida. Nunca desejou a vida assim. Sempre se sentiu alinhada a ela, como se entrelaçassem mãos: ele e a vida. Ainda não sabe se é erro ou medo. 

Então que se percebe assim: fio frágil conectando o pouco ao quase nada. Um nada de carne e ossos e sangue e sonhos rejeitáveis. Nada de nada de nada, que se deita no corpo das horas e inventa conversas obtusas. Que comunga com o indizível e reverbera no indecifrável. Que o faz tremer como se enfiasse dedos na sua garganta, a fim de alcançar a verdade que ele não se deseja encarar. 


Qual verdade é a dele?

Imagem: Testa anatomica © Filippo Balbi

carladias.com

Comentários

branco disse…
..." fio frágil conectando o pouco ao quase nada."....nada a acrescentar.
Carla Dias disse…
Ah,esses nadas, não Branco? Cheios de significados. Um tudo de significados.
Zoraya Cesar disse…
hahahaha, o branco tb já rendeu às suas frases, Carla! E como não?
Por mim, o último parágrafo é uma obra prima. Todo ele. Todo.
Carla Dias disse…
Obrigada, Zoraya! Assim, de coração feliz. Beijo.