terça-feira, 21 de agosto de 2018

É ENSINO MÉDIO QUE CHAMA? >> Clara Braga

Uma aluna me procurou pedindo orientação para um trabalho de português, justo para mim, uma semi desorientada em trabalhos. 

Fiquei feliz pela confiança, me animei e fui logo aceitando. Tinha só um detalhe no meio do caminho, aceitei sem perguntar o tema. Machado de Assis em diálogo com Nietzsche - analisando Memórias Póstumas de Brás Cubas a partir do niilismo.

Por um instante duvidei que estava lidando com alunos de ensino médio. Quando tinha a idade deles Nietzsche para mim era só uma palavra estranha impossível de escrever por ter 5 consoantes seguidas. O orgulho de ter sido escolhida como orientadora, embora eu ache que vou desorientar mais do que orientar, me fez ir logo pedindo: me conta a história do livro para eu lembrar, tem pelo menos uns 15 anos que li.

E a resposta foi: no resumo que eu li diz que...

- Espera aí, no resumo que você leu? Como assim? Você não leu o livro que está usando como base do seu trabalho?

- Ah professora, sabe como é né, não deu tempo de ler, mas não tem problema, além do resumo eu também assisti ao filme!

Quase morri do coração, terminei ali mesmo o primeiro dia de orientação e o dever de casa era óbvio: vá ler o livro!

Cheguei em casa e fui logo pegando meu exemplar para começar a lembrar da história. No início da obra, um mega prefácio anuncia: iremos fazer uma contextualização histórica para facilitar a compreensão do livro! Não lembrava disso, achei bem legal e continuei.

Mais a frente me deparei com duas páginas cuja nota de rodapé ocupava metade da página explicando referências usadas pelo autor.

Não me lembrava de nada daquilo, e foi justamente nesse momento que eu percebi: acho que quando eu precisei fazer um trabalho sobre este livro eu também acabei lendo só o resumo! Será que ainda tenho moral para dar puxões de orelha nas minhas orientandas?!


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