2021 >> Whisner Fraga





 esse pressentimento de mesmice, invariabilidades,

o ano se foi, é certo: reverberam os jornais, o show da virada, na globo, um tal relógio atômico: não há o que reconsiderar,

as notícias, porém, são reiterações que incomodam: o vírus, as mutações, as mortes, a vacina, as seringas, as aulas remotas, a corrupção,

este novo ciclo há de ser distinto: as dietas, as conversas, as reclamações, as séries,

isso podemos mudar, mas não nos interessa,

o ano é recente e com ele uma desesperança, uma dívida, uma decepção: são novidades indesejadas, mas são novidades, afinal,

as dívidas, aliás, virtuais, mas ainda reais,

os boletos a um clique, os códigos de barra a um espiar ligeiro da câmera e pronto, o dinheiro escoa da conta a velocidades astronômicas, e nem o vejo, é ficção,

uma fome nova me desperta agora mais cedo: uma essência de café e está tudo perdoado,

sei que o ano é novo porque acordo mais cedo agora: eu, que já nem me recordava de um dia despertando,

a menina fica até mais tarde agarrada ao travesseiro e só se dá conta de alguma mudança porque não consegue mais explicar algumas coisas,

como considerar jovem um tempo de milhões de anos? 

Comentários

Nadia Coldebella disse…
O dinheiro é ficção. Isto é um fato.
Hj em dia o tempo é um milhão de anos em um segundo. Um rapidez q não anda e uma eternidade q não dura.
Maravilhosa reflexão!
Gde abç
Estou com a Nadia, maravilhosa reflexão para este começo de ano!
Albir disse…
Quando o tempo está sufocando, a gente renova na esperança de mudanças. Que venham!
Carla Dias disse…
Me pego de novo mergulhada na ideia da tristeza que remete à esperança. Seu texto é um resumo melancólico do que nos acontece, ao mesmo tempo em que reverbera um possível amanhã revigorado de tempo, de justiça, de mudanças que sejam benéficas a todos.
Paulo Barguil disse…
"O tempo voa amor, escorre pelas mãos", mas os seus dedos, Whisner, registram esse cenário que repele adjetivos, mas não emoções.

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