terça-feira, 4 de setembro de 2018

DIÁLOGOS DE SALA DE AULA >> Clara Braga

Outro dia, ao final da aula, um aluno se aproximou e perguntou se eu acreditava na influência dos signos no nosso dia a dia. Pensei bem e disse: acredito na influência sim, mas não na determinação cega.

O aluno concordou, apesar de ter feito uma cara de quem não entendeu nada, e foi logo dizendo: é, também acredito na influência, até porque tenho muita dificuldade de me identificar com um signo só.

Quando perguntei o signo dele percebi que o aniversário dele estava se aproximando, então perguntei o dia e, para minha surpresa, o dia era 22 de setembro, exatamente o mesmo dia do aniversário do meu filho.

Contei a coincidência para o aluno e ele foi logo dizendo: caramba, virginiano também? Foi aí que eu expliquei para ele uma questão que meu filho vai ter que explicar para todos os amantes de astrologia que passarem pela vida dele. Dia 22 é dia de transição de signo, você pode tanto ser virginiano quanto libriano, tudo depende da hora que nasce, e como meu filho nasceu na parte da noite já era libriano.

Meu aluno fez uma cara de espanto e o assunto morreu ali mesmo, sem mais nem menos. Na semana seguinte lá estava o aluno de novo. Sentou no canto dele, fez a atividade que tinha que ser feita e veio até mim para conversar. Sua cara de espanto me dizia que ele devia ter passado aquela manhã toda esperando a oportunidade de falar comigo. Assim que teve uma brecha foi logo falando: professora, você não acredita! Fui olhar essa questão dos dias de transição e descobri que eu também sou libriano, e não virginiano! Muita coisa agora faz mais sentido, minhas características nunca batiam 100% com as do meu signo, estava faltando saber o signo certo.

Ri muito da situação e, claro, não perdi a oportunidade de dar aquela zuada no aluno. Mas confesso que achei muito curioso, ele deve ter estudado a fundo seu novo signo, pois ficou me dando dicas de como lidar com meu filho com base em comportamentos que ele provavelmente virá a ter. E ali no meio de toda essa confusão astrológica fiquei pensando: por causa de uma conversa boba despertei uma curiosidade em um aluno que foi pesquisar sobre um tema de seu interesse e logo me trouxe uma conclusão. O assunto nada tem a ver com o que eu estava lecionando, mas um aprendizado com certeza aconteceu e eu fiquei me perguntando, qual é mesmo o papel de um professor?









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