sábado, 22 de setembro de 2018

A PRIMAVERA >> Sergio Geia



Hoje pensei em escrever sobre ela. Lembra aquela música do Beto Guedes: “Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos”? Ela me é tão inspiradora, ainda que setembro já esteja quase no fim.
Desci para tomar café na Tábua de Frios, e aproveitei para olhar árvores (sabia que o Brasil é o país mais arbóreo do mundo? Ouvi isso outro dia no rádio), da Professor Moreira à Santa Teresinha; queria encontrar alguma coisa, um toque primaveril a me inspirar. Fiquei olhando pessoas para encontrar uma alegria diferente, quem sabe um brilho nos olhos, até a mulher que se esqueceu de pagar a água no caixa eu perscrutei, ou a senhorinha de cabelos de algodão com seu cão que encontrei na calçada.
Depois, já em casa, escovei os dentes, e fui à sacada em busca de sinais, uma flor se abrindo, orquídeas, por exemplo. Dizem que aparecem folhas novas na acerola, ou na laranjinha do mato, mas não há acerolas e laranjinhas do mato por aqui. Brotos, talvez. A despedida do inverno, a secura triste indo embora, o cinza da manhã dando lugar ao azul recém-inaugurado.
Mas como eu queria.
Encharcar de poesia e colorido este Crônica do Dia de hoje, afinal, primavera é primavera, tempo de renovação (dizem), de luz e calor, de cor e perfume. Examinei a Mantiqueira que se insinua para mim, tentei uma luz diferente. Agucei ouvidos em busca de cantos novos, um bem-te-vi, quem sabe. Fotografei ipês na JK.
Nem luz, sol, cor, como falam por aí. Nem alegria, paixão, tesão, renovação eu encontrei, a mesmice de sempre (aliás, o centro da cidade hoje estava um horror de tanta gente; depois dizem que brasileiro não tem dinheiro). Nem amor, calor, humor, nem um certo desespero em flor, como na canção.
Talvez sejam os meus olhos despreparados, o coração cerrado. Talvez precise de uma Ananda Apple a me ensinar.
Dizem que a tal chega ainda hoje.
Por ora, pelo menos aqui, sem sinais.

P.S.: Ok, ok. Para espantar o mau humor, que tal essa lindeza do Zé Miguel Wisnik?




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2 comentários:

Zoraya Cesar disse...

Isso! se não encontra a primavera nas pessoas, encontre nas palavras. Na falta do humor primaveril nas pessoas, leiamos Sergio Geia!

sergio geia disse...

Só você, Zoraya rsrs. Grato, amiga!