terça-feira, 3 de julho de 2018

VAI BRASIL ... ou não... >> Clara Braga

O que a maternidade tem a ver com a copa do mundo? Nada, você deve estar pensando! De quebra ainda deve achar chato essas mães de primeira viagem que tudo relacionam com a maternidade. Eu entendo perfeitamente, também era exatamente assim, achava chato tudo se tornar motivo para as mães falarem de seus filhos, mas eu assumo: é inevitável!

Desde que comecei a assistir aos jogos achei que eu já tivesse determinado, pelo menos superficialmente, para quem eu ia torcer quando o Brasil não estivesse jogando. O meu critério de escolha seria torcer para times da América Latina. Mas como esse critério pode ser facilmente furado, pensei outros dois: vou torcer para aqueles times que raramente avançam mas que desta vez estão surpreendentemente bem e, por último, torceria para que os grandes rivais do Brasil ficassem para trás.

Tudo ia bem quando a Argentina entrou em campo. Confesso que não me lembro muito bem contra quem estavam jogando, mas sei que entre os critérios que eu poderia usar acabei escolhendo torcer contra a Argentina. Eu estava feliz, a Argentina estava indo mal e foi então que um cinegrafista sem coração decidiu mostrar o quão apreensiva estava a torcida, já que o fim do jogo estava próximo e o time estava perto de ser eliminado. Conforme os torcedores foram aparecendo eu pensei: é gente, é assim mesmo, não dá para ganhar sempre, pode chorar, faz parte. Eis que em um certo momento apareceu uma criança arrasada chorando com a cabeça baixa no colo do pai. Ele estava com a camisa da Argentina e o rosto todo pintado. Pela idade essa deve ser a primeira copa do mundo que ele tem consciência do que está acontecendo, algo que só vai acontecer com o meu filho daqui a quatro anos.

Meu coração se partiu, esse menino deve ter esperado e ansiado muito por esse momento. E foi assim que passei a rezar por um milagre, tinha que ter um jeito da Argentina ganhar, não era possível. Parecia que eu era Argentina desde pequena, fã de carteirinha do Messi. 

Em um dos jogos até que minha mandinga adiantou, mas depois a reza falhou e o time foi desclassificado, e mais uma vez crianças decepcionadas foram mostradas chorando uma das primeiras frustrações de suas vidas.

Desde então, assim que mostram uma criança triste eu esqueço qualquer critério que eu tenha elaborado previamente e passo a torcer pelo time como se fosse o Brasil jogando. Justamente por isso eu gostaria de pedir aos cinegrafistas que no jogo da próxima sexta-feira, caso o Brasil esteja ganhando, não mostrem crianças Belgas chorando, existe uma chance grande de eu mudar minha torcida e acabar torcendo contra o Brasil, e eu não queria chegar nesse ponto.


Partilhar

Nenhum comentário: