terça-feira, 10 de julho de 2018

BYE BYE BRASIL >> Clara Braga

Acompanhando a copa do mundo, vi muita gente comentando que já não aguenta mais as pessoas que ainda tentam nos convencer de que o Brasil ainda tem o melhor futebol do mundo e também não concordam com a afirmação de que o time brasileiro seja realmente brasileiro já que quase nenhum jogador ainda joga no Brasil.

Entendo pouco ou quase nada de futebol, mas achei as reclamações coerentes, já que desde a copa passada lembro dos comentaristas dizerem que era difícil entrosar o time brasileiro já que cada um jogava em um canto e, por isso, tinham formas diferentes de jogar.

Logo depois de assistir a um debate desses em um programa esportivo, o Brasil foi eliminado dessa copa de uma forma muito menos trágica do que na copa anterior. Uma eliminação quase injusta se futebol fosse um jogo que ganha quem jogou melhor, mas como vence quem faz gol, voltamos para casa sem o título. E junto com o título parece que perdemos o respeito, a coerência, o "patriotismo" e também aquela vontade de cantar o hino nacional com o peito estufado e o coração explodindo, como se fosse a música mais maravilhosa já criada. E como não sabemos lidar com nossas frustrações, escolhemos um culpado e não medimos palavras para deixar clara nossa decepção, principalmente se para isso precisarmos xingar e ameaçar esse que escolhemos como o vilão da vez.

Assim que vi os inacreditáveis comentários violentos e racistas que estavam sendo feitos a respeito do e para o jogador Fernandinho, fui me informar em qual time ele jogava e, indo contra tudo que pensei antes, fiquei aliviada ao saber que ele não joga no Brasil. Quer saber, talvez seja melhor mesmo que os jogadores não desenvolvam suas carreiras por aqui, um país onde todo mundo acredita já nascer phd em futebol e por isso acha que erros são inadmissíveis. É triste saber que o Brasil é  conhecido também como o país da impunidade e, por isso, provavelmente nada vai acontecer a essas pessoas que justificam seus atos com a tristeza de estarem perdendo o sonho do hexa, sonho esse que estava adormecido há quatro anos e, daqui a uma semana, será esquecido por mais quatro. Pessoas que há um mês estavam dizendo que era melhor o Brasil nem ter se classificado, pois precisamos focar nos problemas políticos. Essas pessoas com certeza estão mais tristes por terem perdido a possibilidade de uma folga na terça do que de não ver o time levantando a taça pela sexta vez.

É Fernandinho, quer saber, vai trabalhar longe mesmo, onde você será tratado com dignidade. E com tristeza te digo mais, em um país onde heróis são aqueles que ficam confinados em uma casa bebendo e falando asneira, talvez seja melhor mesmo ser vilão.



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Um comentário:

Francisco disse...

Uau! É melhor ser vilão mesmo, o povo gosta de cada tipo que aparece... Parabéns.