VISITAS INDESEJADAS >> PAULO MEIRELES BARGUIL

Há cinco anos, tenho recebido hóspedes não agradáveis.

 

As formigas foram as pioneiras.

 

No primeiro ataque, logo depois da minha mudança, as saúvas desfolharam  várias plantas: deixaram só o caule e os galhos.

 

Com o vestuário adequado, espalhei veneno no caminho para que elas o levassem para o abrigo.


A missão foi um sucesso... até o próximo ataque, que aconteceu anos depois.

 

Elas continuam por aqui, mas as de agora são civilizadas, possibilitando uma convivência respeitosa e harmoniosa.


Os marimbondos também são assíduos frequentadores.

 

Embora inofensivos, espalham seus ninhos, feitos com esmero e destreza, em todos os cantos.


Estou sempre retirando suas obras de arte quando não estão por perto.

 

Os pombos não entravam fisicamente em casa, mas causavam muito incômodo.

 

Arrulhavam, perto da janela dos quartos, a qualquer hora do dia.

 

Com esses, a luta foi demorada e, por vezes, feroz.


Instalei telas sob as telhas para eles não entrarem no sótão, pendurei fios para eles não fazerem o poleiro nas mãos francesas (vejam que acinte!).


Meros paliativos, pois eles continuavam lá instalados.

 

Eu até usei um cano de 3 metros para admoestá-los, de preferência quando estavam dormindo.


Depois de alguns anos, sem qualquer aviso, eles se mudaram.

 

Não fazem a menor falta!


Os ratos moraram dentro da minha residência durante meses, sem que eu soubesse, pois só saiam de noite.


Eu tinha o costume de deixar, ininterruptamente, algumas janelas abertas e eles abusaram da minha hospitalidade.


Durante uma faxina, um casal de bandoleiros foi encontrado dentro de uma caixa e recebeu a devida punição.


Desde então, fiquei mais cuidadoso e fechava todos os possíveis acessos, principalmente a porta do quarto em que eles habitaram.


Meses depois, encontrei vestígios de que eles estavam de volta.

 

Decidi mudar de estratégia: comprei duas ratoeiras para pegá-los.


Coloquei uma dentro de casa e outra fora.


Elas dispararam, mas não cumpriam sua missão.


Apesar disso, um intruso foi parcialmente ferido e sonorizou a dor, possibilitando ser localizado para receber o tratamento adequado...


Após algumas luas, identifiquei que o canto da porta do cômodo onde os pioneiros se alocaram estava roída.


Respirei fundo, fiz meditação e não entrei em pânico.


Eu acreditava que se não tivessem alimentação, não ficariam.

 

Alguns semanas posteriores, quando estava com familiares na sala jogando, um atrevido resolveu passar em direção ao dito recinto.


Convoquei, imediatamente, um semelhante para ministrarmos a última lição para o folgado.


Cansado de tantas ocorrências e por viver em dúvida quanto à inviolabilidade do meu lar, resolvi comprar e instalar 2 câmeras para flagrar algum enxerido.

 

Elas ficaram ligadas durante 3 meses e não filmaram nada de estranho.


Apenas mariposas acionaram os dispositivos.


Há poucos dias, quando estava no quarto me preparando para dormir, escutei um barulho próximo da cozinha.


Perplexo, constatei que uma caixa com lixo reciclável estava mexida.


Na manhã seguinte, verifiquei que o canto de uma ventarola, que eu deixava parcialmente aberta, estava roída.

 

Eu tinha certeza que o espaço deixado não era suficiente, mas eu estava errado!


Rezei para que o intruso tivesse ido embora e fechei tal fronteira.


Sei que eles passeiam impunes no quintal e que frequentam outros domicílios perto daqui.

 

Estou ciente, também, que eles estão esperando eu vacilar para perturbarem a minha tranquilidade.


É por isso que já estou pensando na minha próxima defesa...

Comentários

Nadia Coldebella disse…
Parece as histórias que ouço todos dia. Tem gente que levanta muita barreira na vida, mas vive se incomodando com qqr coisa que pareça invadir seu mundo interno. No final, não sei se adianta. Espero msm q vc consiga, porqueue ratos, baratas e afins, ngm merece!
Albir disse…
Kkkkkkkk, se esses seus intrusos escreverem crônicas, provavelmente vão chamar de ataques infames e assassinos as suas armadilhas de defesa. Mas continue se defendendo, que "a vida é luta renhida".

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