SOBRE A MOÇA QUE MORA AO LADO << SORAYA JORDÃO


 

A verdade é uma mulher avessa a recatos. Por mais que insistam em criá-la tímida, antissocial ou reclusa, ela teima em se mostrar. 

Anseia com ardor o instante de desnudar-se diante do olhar estupefato do observador. 

De natureza selvagem é dotada de poderes extravagantes: demolição e renascimento; assombração e amuleto; violência e salvação; causa e cura de dores profundas.

Determinada, meticulosa e indomável, a verdade cava brechas, vielas, esquinas, de onde delata, maltrata e liberta. 

Caminha nua. Entregue, vulnerável, oferecida. Muitas vezes, rejeitada. Exuberante e exibida.

Mulher de longas pernas e passos que gritam rastros. Dançarina sedutora.

Quem nunca perdeu o fôlego diante de um strip-tease da verdade? Quem nunca ousou amordaçá-la e sentiu a força da sua mordida? Quem nunca tentou ludibriá-la? 

Sorrateira e vingativa, a ordinária sempre arma o bote e assume o seu lugar. Ninguém consegue enganá-la por muito tempo. Aí estão os amantes, os sedutores, os salafrários que não me deixam mentir.

 Ainda bem!

Comentários

Ana Raja disse…
Que texto lindo,Soraya! A verdade sempre aparece, não adianta tentar abafar a sua voz.
Soraya Jordão disse…
Obrigada, querida amiga, pela leitura e retorno. Bjoo
Jander Minesso disse…
Menina, que baita descrição e personificação. Adorei de verdade!
Soraya Jordão disse…
Que maravilha, Jander! Fico muito feliz que tenha gostado!

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