Pular para o conteúdo principal

SEGUNDAS OTIMISTAS >> Clara Braga

Ser mais otimista é vontade de todos. Seja mais otimista é um dos conselhos mais dados a pessoas que estão passando por situações delicadas. Agora, ensinar alguém não só a ser, mas a manter-se otimista sempre, isso eu já considero raridade.

Não sei se por coincidência ou se foi intervenção divina para que eu pudesse manter minha sanidade mental, sempre tive perto de mim pessoas que são otimistas por natureza. A princípio isso parece ser uma coisa muito boa, e é mesmo em 70% dos casos, mas não podemos ignorar aqueles casos nos quais estamos extremamente tristes com algo, ou sofremos uma perda muito grande e precisamos ouvir alguém dizer o clichê do otimista: pense pelo lado positivo... Me desculpem, mas tem horas que dá vontade de matar a pessoa!

Acho que já deu para perceber que eu não me incluo no grupo dos otimistas, né? E é justamente por isso que eu costumo prestar muita atenção nas atitudes dessas pessoas, para ver se aprendo um pouco e faço dos meus momentos difíceis momentos mais leves.

Recentemente uma situação me chamou a atenção, e já que estamos em final de ano, defini essa situação como a mais otimista do ano, vou levar esse momento comigo como um mantra para o próximo ano e vou compartilhar com vocês a situação para que também se inspirem.

Estava entrando em sala de aula, primeiro horário de uma segunda-feira. Os alunos que já estavam em sala não estavam nada animados, o sono reinava e a preguiça parecia tomar conta de todos. Já estava quase me deixando levar pela energia baixa quando ouvi o diálogo de dois alunos:

- Nossa, ainda é segunda e eu já estou morto!

- Ainda? Amanhã já é terça-feira, ou seja, um dia antes do meio da semana! Quando a gente piscar já é sexta-feira!

Mal pude acreditar no que ouvi! Nunca tinha visto alguém encarar a segunda-feira de forma tão positiva! Confesso que nunca mais encarei a semana da mesma forma. Vai dizer, essa pessoa merece ou não merece o prêmio otimista do ano?

Comentários

Larissa S.A disse…
Clara, eu, particularmente, adoro as segundas, pois quase sempre elas iniciam um ciclo novo, primeiro dia de aula, primeiro dia em um emprego novo, o início para fazer algo que teremos a semana inteira pela frente, e depois do primeiro dia tudo fica mais fácil, é como sempre digo: basta sobreviver ao primeiro dia, rs.
Bju, adorei o texto.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …