Pular para o conteúdo principal

AGONIA DOCENTE >> Paulo Meireles Barguil

Compartilho dois comentários, escritos no início deste mês por graduandos de uma mesma turma, sobre o material elaborado por mim, revisado em cada início de semestre letivo, que utilizo na disciplina Didática:

"[...] a sala permanecia não lendo pelo caráter superficial e a visão única que o texto da apostila apresenta.".

"Feito com cuidado visível, o material é de uma qualidade e encaixe acadêmico maravilhoso. Uma escrita acessível e consistente, um material específico [...] que situava e contextualizava o estudante num amplo panorama dos estudos educacionais [...]".

É um desafio intelectual e emocional atribuir igual importância a ambos.
 
O material, com 81 referências e 94 páginas, é dividido em 3 unidades e possui, além de várias citações, letras de músicas e crônicas, dezenas de sugestões de leitura e de vídeos, todas disponíveis na internet.
 
Seria mais fácil para mim, em vários sentidos, adotar textos de outros autores, mas, nesse caso e em muitos outros, prefiro renunciar ao cômodo e fazer a trilha.
 
Na sala de aula, eu me recuso a ser um conferencista, preferindo assumir um papel de mediador, o qual fica comprometido se os estudantes não leem as poucas páginas que abordam a temática de cada aula.
 
O que significa a não leitura dos graduandos?
 
De modo geral, as chamadas disciplinas pedagógicas não encantam os estudantes das licenciaturas, os quais, em cada semestre, elegem como prioritárias aquelas que abordam os assuntos do seu curso.
 
Posso fazer algo para que eles se interessem pelas contribuições teóricas de vários autores sobre os desafios docentes?
   
Meu principal objetivo em sala de aula é ampliar a capacidade reflexiva dos estudantes, tentando evitar posições dogmáticas, totalitárias, homogêneas, pois acredito que nosso ponto de vista é apenas isso: um ponto.
 
Também tenho como propósito dilatar a empatia dos discentes, considerando a diversidade crescente e os diversos desafios diários enfrentados por todos, de modo especial por aqueles que são alijados das mínimas condições de uma vida digna.
 
Acostumados a serem ouvintes, os estudantes, por vezes, relutam em assumir a responsabilidade pela sua aprendizagem, a qual só acontece quando a pessoa (inter)age.
 
O desafio é propor uma Didática em que eles sejam protagonistas da sua trajetória acadêmica e pensem sobre situações ainda não vivenciadas como professores, embora, às vezes, tenham sido enquanto estudantes.
 
Sigo procurando...

Comentários