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KAIROLOGIA >> Paulo Meireles Barguil


"Tempo, tempo mano velho,
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio"
(Pato Fu, Sobre o tempo)

Procurei no Dicionário Houaiss, mas não encontrei qualquer vestígio de Káiros.
 
Em seguida, investiguei nele sobre a quantidade de vocábulos originados de Chronos: achei mais de 20.

Decidi, então, navegar em ondas binárias e localizei interessantes páginas na internet sobre essas duas diferentes perspectivas de tempo, mas fui surpreendido com o fato de que há uma terceira: Aion.
 
Descobri uma bela obra de Valéria Muelas Bonafé, na qual ela aborda a composição musical a partir da tríade forma, tempo e sonoridade. 
 
"[...] pode-se dizer que Chronos seria o tempo da sucessão (quantidade),
Aion seria o tempo da simultaneidade, da eternidade (duração/suspensão) e
Kairos seria o tempo da experiência (qualidade)." (BONAFÉ, 2016, p. 39).
 
Na sequência, ela nos brinda com a Kairologia enunciada por Walter Benjamin mediante o conceito de Jetztzeit (tempo-de-agora).
 
A vivência cronológica é extremamente tóxica: ela extirpa, com múltiplos estímulos audiovisuais, a alma do Homem.

O consumo, nas suas variadas expressões, é uma vã tentativa de dizer para si e para os outros: "– Eu estou vivo".
 
Será possível a resgatar a vivência kairológica, tão característica da infância, depois de tanto tempo(-sem-agora)?

 
[Eusébio – Ceará]

[Foto de minha autoria. 18 de dezembro de 2018]
 
[Crônica referente a 07 de dezembro de 2018, a qual não foi publicada nessa data porque Chronos é inexorável]

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