sábado, 17 de novembro de 2018

HÁ TRINTA DIAS ME BATEU UMA COISA DOWN >> Sergio Geia


Assim do nada, como surgem dores e resfriados (doenças também), há trinta dias me bateu uma coisa down. Senti algo ruim no peito, um vazio, que virou desânimo e, típico movimento reverso, vontade de mergulhar numa piscina de nada, e eu fiquei assim. Como a vida não pode parar em razão de nossos vazios e desânimos, segui em frente. Calhou de no meio dessa coisa estranha, sai de casa um dia pra andar e buscar inspiração a fim de escrever algo sobre a primavera que batia à porta.
É claro que o resultado foi zero de inspiração. Não achei coisa alguma que me remetesse à primavera. Talvez, minha vibe sendo outra, achasse.
Decidido assim mesmo a escrever sobre a primavera, como um teimoso convicto, cheguei em casa, sentei na frente do computador e escrevi. Obviamente, uma crônica baixo-astral, reflexo do baixo-astral de seu criador, que foi publicada neste espaço em 22 de setembro de 2018.
O pior dessa coisa estranha é que o universo baixo-astral do escritor criou um texto baixo-astral. Em seguida, esse mesmo texto baixo-astral, como um bumerangue, voltou ao escritor em forma de mais baixo-astral. Ainda mais que o primeiro dia da primavera foi lindíssimo, desmentindo o cronista, ensolarado, céu azulíssimo, flores se abrindo talvez, se o mau humor não o cegasse (veja, por exemplo, o comentário do amigo Dimas sobre a crônica: “Então eu sou um privilegiado e não me dei conta, porque aqui em casa estão brotando florzinhas no pé de abóbora, no pé de romã, nas laranjeiras que plantamos há pouco tempo, e até nos trevinhos da grama.”). Fiquei mal.
Então, mergulhado num baixo-astral horrendo, céu nublado e com trovoadas, comecei a ler e a responder os comentários de vocês no facebook, coisa que gosto de fazer. Senti que o céu começou a clarear.
A começar pela querida Marialice (para mim, assim mesmo, “Marialice”, tudo junto e misturado, como sempre a chamei lá na infância, na Rua Barão): “Acho que temos dentro de nós dias de inverno e dias de primavera...rsrs. Mas ela chegou pra colorir e florescer nosso coração”. Pensei: que coisa linda, Marialice. E pensei também: nada mais facebookiano que viver sempre na primavera. Pois na vida não há invernos?
Depois, o amigo Érito, mostrando um jeito quântico de ser: “Quando me pego olhando pela ótica de sua crônica, lembro que eu decido como enxergar o mundo e então lembro de amigos como você, lembro que a física quântica me mostra que as vibrações para o universo sou eu quem escolho. E assim vejo uma primavera que se inicia e tenho dezenas de coisas para agradecer e uma delas é a sua amizade e seu talento que mesmo distante nós faz estar próximos. Gratidão, gratidão e gratidão!!”
E tantos outros, como a Marlene: “Que venha a primavera quando ninguém mais espera”; a Sandra: “Eu também fico apreciando as árvores de ipê da JK que estão lindas!!!”; a Cidinha: “Que tenhamos mais amor florindo nesta primavera”; a Karina: “Geia, você precisa de flores em sua vida!”; o Téo: “Beleza, Serginho, mas como fala a música que você postou, a primavera vem quando menos se espera e ela tá chegando, meu amigo!”; a Toninha: “A primavera é maravilhosa”; a Regina: “Feliz você, primo, que com todo esse papo sobre eleição e melhor candidato, consegue nos presentear com essa crônica sobre a primavera e mencionando ainda Beto Guedes, que adoro!!”; o Paulo Amaral: “Sergio, primavera é o renascer”; a Vanessa: “A primavera é inspiradora, primo”; a Adriana: “É engraçado, sempre que escuto alguma música da primavera vem o Tim Maia com a primavera e o amor. Enfim, eu adoro olhar nessas épocas as árvores com suas lindas flores coloridas de todos os jeitos; primavera é cor, é alegria, é paixão”, e a Ademara, o Paulo Castilho, o Paulo Pereira, a Marlene, a Regina, a Ana Favali, a Cristiane Amarante, o João Vasco, o Darci, a Luciana, a Neusa Santos e tantos, tantos outros que com uma simples palavra, encheram meu dia de primavera.
De mal, comecei a ficar bem, mais leve e agradecido. Até tomei uma taça de vinho, desisti de “Mar adentro”, filme tristíssimo, mergulhei em “Mamma Mia”, o primeiro, de 2008.


P.S.: Sabe, até deu vontade de sair pulando com a Meryl Streep, em Dancing Queen? Coisa louca. Ah, e obrigado, meus queridos, pelas palavras de carinho após aquele acidente na Dutra e que foi o tema da crônica “Eu estou bem”. Foram tantas as mensagens que a vida ficou mais leve.


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2 comentários:

Brasilino Neto disse...

Amigo Sérgio, suas crônicas, por seu primor como escritor, quais sejam os temas, mesmo tratem os dificultosos embates do dia a dia, se tornam leves. Leio sempre e delas tiro proveitos para viver alegremente! Brasilino

sergio geia disse...

Brasilino, amigo, que alegria. É bom saber que meus escritos produzem esse efeito. Abração!