MEDOS, ANSEIOS, ANGÚSTIAS E PARANÓIAS >> Clara Braga

Confesso: eu tenho medo!

Aliás, medo não, medos, no plural!

Mas se quer saber, não me acho medrosa, ao longo do tempo mudei meu entendimento sobre a palavra medrosa. Não, eu não quero saber mais do que o dicionário, mas realmente acho que ser medrosa não tem a ver só com o fato de ter ou não medos, mas sim com o que você faz com eles. 

Apesar de ter vários medos, procuro não me deixar paralisar, é o bom e velho: está com medo? Vai com medo mesmo!

Esses dias tive um compromisso que me tirou de casa de madrugada. Saí com o céu ainda escuro e as ruas totalmente vazias. Comecei a ter medo já na garagem, já que recentemente fui informada de que aconteceu de pessoas terem entrado na garagem de madrugada e roubado bicicletas. E se eu dou de cara com uma pessoa dessas, o que acontece comigo?

Depois tive medo enquanto dirigia na rua totalmente abandonada: se o carro para de funcionar agora eu estou F*DIDA!

Enfim, como disse, os medos são vários e eu já cheguei até a me questionar se eu não estava sendo um pouco exagerada, um pouco paranoica demais!

Então, semana passada tivemos duas notícias estarrecedoras: uma menina de 11 anos grávida que teve seu direito ao aborto questionado e foi massacrada na internet pois poderia ter o filho e entregar para adoção. Logo depois, uma atriz teve sua intimidade ilegalmente exposta e, ao revelar que teve um filho após ser estuprada e entregou para adoção, foi acusada de abandono de incapaz.

Então eu lembrei: eu não sou paranoica, eu sou mulher!

Se meu carro parar na rua, não vai ter sido um acidente, provavelmente eu é que não sei dirigir direito, afinal, mulheres dirigem mal. Ou então o carro estava ruim pois eu não fiz as revisões necessárias, afinal, mulher não sabe cuidar de carro.

Se eu for assaltada, provavelmente será porque eu estava dando mole onde eu não devia.

E se, Deus me livre, algo ainda mais grave acontecer, eu que me prepare para ser continuamente violentada e julgada, afinal, nada do que eu faça será uma escolha boa o suficiente para uma sociedade que age como se estivesse acima da lei e que quer decidir por mim o que é melhor para mim, afinal, quem eu penso que sou para saber o que é melhor para o meu corpo e minha sanidade mental?

São tempos sombrios, credo!

Comentários

Zoraya Cesar disse…
Sempre foi assim. O triste é que, em pleno séc XXI só vemos umas luzes aqui e ali. Pior é qdo são as próprias mulheres que apagam as luzes e rodam os tacapes contra as outras. Enfim.
Nadia Coldebella disse…
Hj eu estava lendo um material técnico e achei uma paradinha mais ou menos assim: fixação no passado é qdo a gente se prende no período anterior da vida tentando se proteger; o pbma é q isso põe a gente num ciclo repetitivo: não olhamos pro presente e perdemos a chance de qqr futuro. Em resumo, permanecemos estáticos, presos.

Pois é. Estamos contemplando diariamente um desfile de Idade Média. Outros tempos jorram em toda parte, verdadeiros portais de ignorância vergonhosa. Em toda parte, de todo jeito, de qqr pessoa.

Cuidado! Seus medos são justificáveis mas fale baixo. Do jeito que as coisas andam, logo alguém acende uma fogueira! E vc sabe como é... Mulher, fogueira, idade média...

Bjos cheios de sororidade!

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