VÉSPERA >> Carla Dias
Véspera é sala de espera interior. Não importa qual conclusão ela anuncie, as pistas que ela dê sobre possíveis desfechos, todos sofremos um pouco de ansiedade por uma mudança provocada pelo fim dando espaço ao começo. Nunca fui frequentadora das festas de fim de ano, desde pequena. Passava o Natal e o Ano Novo assistindo TV, de preferência, filmes com Fred Astaire como protagonista. Gostava das coreografias, achava elegante o dançar dele e das vezes em que big bands participavam dos filmes. Gostava de rever os familiares que passavam para um olá e, claro, da comida diferente da servida na rotina. Não assistia a desenhos. Sou praticamente analfabeta neste quesito, mas foi algo natural. Eu me interessava por assuntos de adultos, mesmo sem ainda entendê-los direito. Por isso os filmes me agradavam tanto. Eu topava o que viesse – ou conseguisse assistir sem que me interrompessem com “tá na hora de ir pra cama” ou “isso não é coisa pra criança” –, até mesmo os que me davam medo, como ...




.png)
